Diário de Bordo - Recantos & Encantos XIV
114 Dauphin-EUA – Dauphin
é uma minúscula cidadezinha do interior da Pensilvânia, na foz de Stony Creek. Pensam que apenas New York possui uma Estátua da Liberdade? Pois Dauphin também tem a sua, bem no meio do rio que corta a cidade, só que ali a chamam de "Liberty Lady" - a Senhora Liberdade. E quando me refiro à Dauphin como “minúscula” não é apenas força de expressão: é minúscula mesmo, pois que não tem mais que 800
habitantes!. Um vilarejo, por assim dizer, em que os registros oficiais mostram
que apenas duzentas e poucas famílias moram no lugar, entre descendentes e
agregados. Daí porque foi escolhida para uma de nossas visitas técnicas durante
a Missão Oficial de Estudos para que pudéssemos entender como a educação é
levada até aos menores municípios do país. E não pode haver melhor exemplo do
que esse que vimos na “Hight School” de Dauphin. Incrível até para acreditar, quando
comparamos seu tamanho ao do país onde se instala, ainda maior do que o nosso e
que leva a mesma qualidade de ensino observada nas grandes capitais do país aos
mais minúsculos povoados. O que dizer de algo assim? Constata-se apenas que a
justificativa da “enorme dificuldade de se implantar educação de qualidade em
um país de dimensões continentais” é desculpa de quem não tem interesse em
mudar nada. Essa foi a grande e maior lição que todos trouxemos dessa Missão de
Estudos nos EUA.
115 Derry-EUA – Derry é
um pouco maior que Dauphin, pois que deve ter hoje por volta de 3.000
habitantes, mas ainda assim é uma cidade interiorana bem pequenina tanto para
nossos padrões quanto para os americanos, mas não menos apaixonante para os que
a visitam, e se pode dizer que a rua que se vê na foto é uma das mais
movimentadas, rsrs! Está localizada no Condado de Westmoreland (que em tradução
livre se poderia entender como “Terra mais a Oeste”, já que fica na região
oeste do país). A cidade mais importante próxima a ela é Pittsburgh, a cerca de
70km da cidadezinha. Mas a foto não deixa dúvida sobre como a prefeitura leva a
sério a organização do vilarejo, apesar do tamanho, que não parece ser desculpa
para não cuidarem do lugar onde vivem. A mensagem que as pequenas cidades
americanas passam é sempre a mesma: “É aqui que vivemos, e então fazemos de
nosso lugar o melhor do mundo para vivermos!”. Essa foi a forte impressão com
que retornei de lá. O ruim é a comparação, que mexe bastante com os brios da
gente, não há como negar! Derry foi importante na época das locomotivas a
vapor, que cruzavam a cidade pela Pennsylvania Railroad. O nome da cidade foi
uma homenagem à homônima Derry da Irlanda do Norte, já que o lugar foi
colonizado por escoceses-irlandeses, cujos descendentes ainda são a maioria de
seus habitantes.
116 Dover-ING
– Já a cidade inglesa de Dover, às margens do Canal da Mancha
que a separa da França, é o que há de mais encantador para uma cidade com cerca
de 30 mil habitantes, no sudeste da Inglaterra. A cidade – como grande parte
das cidades inglesas do Interior – conserva seus castelos medievais intactos,
como parte de seus monumentos sagrados e da história que valorizam tanto. Além
dos castelos, outra coisa que chama a atenção em Dover é sua geografia e
paisagem natural, que apresenta acidentes geográficos que eu nunca vi em
qualquer outro lugar do mundo como os penhascos brancos que se vê na foto, que
eles chamam de Seven Sisters Rock, ou “Rochedo das Sete Irmãs”. Dover é cheia
desses penhascos de rochas tão claras que chega a ofuscar a vista quando se
olha para eles em dias ensolarados, como foi esse que é mostrado nas fotos. Ambas foram batidas exatamente no mesmo local, apenas com uma mais próxima do que a outra, batida de mais longe. Dover
fica em frente a Calais, que é a primeira cidade francesa que se alcança após a
travessia do Canal, já do lado francês. Sua importância é a de ser o maior
porto britânico do Canal da Mancha.
117
Dunkerque-FR é um cidade portuária importante do norte de França, que também
serve de ligação com a Inglaterra quando se cruza o Canal da Mancha. Com cerca de 70 mil habitantes e situada a apenas
10 km da fronteira com a Bélgica, quem chega até ela fica tentado, claro, a
esticar a viagem até a capital belga Bruxelas, e eu não fui exceção a essa
regra. Como perder essa chance? Dunkerque é o terceiro maior porto francês, e
aí se entende sua importância histórica durante a 2ª. Grande Guerra, quando foi
travada ali uma das batalhas mais importantes contra o domínio nazista, e que
deu início à derrocada de Hitler. Os “dunkercois” – como os locais gostam de
ser chamados – se orgulham muito dessa passagem de sua história, e há um enorme
memorial na praia de Dunkerque para lembra-lo, cenário perfeito para muitas
fotos pelos turistas. As ladeiras de Dunkerque me lembraram muito a canadense
Quebec que, por se tratar do lado francês do Canadá, tem outra particularidade
em comum com Dunkerque: a de ter seus
locais chamados de “Quebecois”
(pronuncia-se “quebecoá”), apelido que achei muito simpático durante minha
estada canadense.
118 Diadema-SP – A jovem Diadema (tem
menos de 60 anos de idade) integra a região metropolitana de São Paulo e foi a
última do chamado ABC paulista a integrá-lo, daí porque na minha adolescência,
ainda morando em Campinas, se ouvia com frequência a expressão “ABCD Paulista”,
incluindo Diadema como a quarta letra do “alfabeto metropolitano”, mas parece
que o apelido não rompeu a tradição do famoso ABC, formado por Santo André, São
Bernardo do Campo e São Caetano do Sul (esta última onde também moramos durante
pelo menos um ano, se me lembro). Apesar de tão nova, sua proximidade com a
capital paulista fez com que a cidade rapidamente ultrapassasse a marca dos 400
mil habitantes. Antes da emancipação Diadema era distrito de São Bernardo, até
ser desmembrado em 1959. Uma coisa que me chama atenção em Diadema é seu relevo
bastante acidentado, cheio de altos e baixos e ladeiras, que me lembram
bastante outra cidade que visitávamos muito nos tempos de residência em Campinas:
Jundiaí, onde morava tio Amadeu e família, um médico respeitado na cidade e
muito próximo da gente. Costumávamos dizer que o que não se via em Jundiaí era
bicicleta, pois que ninguém conseguia pedalar em suas ladeiras. A mesma lógica
se aplica a Diadema.
119
Diamantino-MT – A
cidade de pequeno porte tem cerca de 20 mil habitantes e está localizada bem no
centro de Mato Grosso. Pelo nome já dá para ver que ali já existiu um veio rico
em diamantes, mas isso foi lá pelos idos do século 18. Minas tem uma cidade que
também já explorou diamantes chamada Diamantina, e que é bem mais conhecida do
que a Diamantino mato-grossense. O clima médio da cidade, apesar de ficar a
apenas 200 quilómetros de Cuiabá, é bem mais agradável por situar-se a quase
300 metros de altura e a capital ficar numa bacia cercada por montanhas, o que
a coloca como uma das capitais mais quentes do país. Mas a variação de temperatura também é muito grande
em determinados períodos, e em alguns anos já variou de 4 a 41 graus. Mesmo
assim fica longe da de Cuiabá, que no verão atinge facilmente a marca dos 47º.
Estive em Diamantino também para desenvolver empreendedorismo e capacitação em
planejamento entre os empresários locais pelo Projeto Ideal do Sebrae.
120
Dourados-MS –
Dourados já fica em Mato-Grosso do Sul e é uma cidadezinha agradável e pelo
menos 10 vezes maior que Diamantino, com cerca de 200 mil habitantes. Por ser
local de preservação ambiental atuante, a cidade é procurada por interessados
em turismo ecológico – ou de contemplação – como se diz por lá, onde a rica
fauna local não pode sofrer agressões como para efeito de caçadas ou
comercialização. A marca registrada de Dourados, claro, é o famoso peixe de
mesmo nome, que é abundante nos rios da região, razão porque por toda a parte o
município é identificado pelo formato do peixe, e até aos telefones públicos de
lá é dada essa forma, como mostra a foto. O dourado que aparece nela não é um
monumento, mas um orelhão como os vários que se encontram espalhados pela
cidade, prática essa que encontrei em várias outras cidades matogrossentes,
onde seu animal símbolo acaba sendo representado no mobiliário urbano, como é o
caso de Campo Grande, de Jacundá, e várias outras.
121
Duque de Caxias-RJ é um dos treze municípios da baixada
fluminense que integram a região metropolitana do Rio. Efervescente e uma das
mais movimentadas da baixada, aproxima-se hoje dos 900 mil habitantes e deve
seu nome ao patrono do exército, Luís
Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, que nasceu na região em 1803. Na
segunda metade do século XX Caxias teve outro filho famoso, não tão festejado mas
não menos notório que o primeiro, que foi o advogado, deputado federal e
prefeito Tenório Cavalcanti – apelidado de “O Homem da Capa preta” – que de tão
polêmico por comandar o império do terror na baixada ganhou até filme, andando sempre armado e ser conhecido como
mandante do assassinato de todos os seus adversários políticos. Tenório tem uma
frase sua que mostrava bem sua disposição para o enfrentamento pela violência.
Dizia ele: “Eu não mato ninguém. Só faço
o furo, quem mata é Deus!”. Realizei inúmeros trabalhos em Caxias sempre
pelo Sebrae-RJ, e apliquei lá pelo menos uma dezena de cursos voltados para
estímulo do empreendedorismo local.
122
Duas Barras-RJ – O município foi desmembrado de Cantagalo, possuindo pouco
mais de 10 mil habitantes e localizado a 530 metros de altitude. É conhecido
também por seu centro histórico bastante conservado, com casarões que remontam
ao período do império e muitas fazendas históricas que se dedicam ao turismo
ecológico. Seu clima ameno e seu ambiente de natureza rural atraem muitos
turistas, principalmente por um calendário de festas populares que acontecem ao
longo do ano, tendo ficado conhecido por sediar anualmente um grande encontro
de motoqueiros bem no estilo dos “Hell Angels” americanos, que percorrem a
famosa Rota 66 que corta o país de leste a oeste. Duas barras esteve entre as
quase duas dezenas de municípios cujos gestores integraram um grande trabalho para
prefeitos municipais que conduzi nas regiões norte e nordeste do estado. Ainda
que não fazendo parte daquela área, pois que está mais para o centro fluminense,
seus gestores se interessaram em participar do projeto.
123
Estreito-MA – O município maranhense localizado ao sul do estado faz divisa
com o Tocantins e possui pouco mais de 40.000 habitantes. Curiosamente a única
cidade começada com a letra “E” entre as centenas em que desenvolvi meus
projetos, acabou se destacando na minha lista justamente por essa
peculariedade. O nome Estreito, um tanto quanto estranho para nome de cidade,
teve origem na sua localização próxima a duas pontes localizadas na parte mais
estreita do Rio Tocantins, unindo os estados do Maranhão e do Tocantins. A
cidade ficou mais conhecida depois da construção de sua usina hidrelétrica, que
leva o nome da cidade, e também por sua ponte ferroviária por onde passam as
composições da Ferrovia Norte-Sul. Também estive ali capacitando empresários
para criação de um centro empresarial de apoio ao empreendedorismo da região.




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