Diário de Bordo - Recantos & Encantos III




31 – Querer dizer algo a mais de Bariloche é chover no molhado. É um dos lugares abaixo do Equador que mais nos remetem à Europa, ou ao Canadá, por exemplo, com a grande vantagem de estar aqui pertinho e, por conseguinte, bem mais acessível tanto na geografia quanto no bolso. A cidade argentina é o sonho de consumo de muitos brasileiros que aspiram vivenciar a neve, mas acreditam ser difícil ir até os países mais distantes.




32 – Balsas é conhecida no Maranhão por sua importante agricultura mecanizada de soja, motivo que me levou até lá, sendo a 3ª. maior produtora do estado. Como território urbanizado também é a terceira da região do cerrado. O acesso à cidade foi feito pela Transamazônica a partir de Imperatriz, onde pousamos, e a experiência debaixo de forte chuva marcou por conta de uma derrapagem num trecho de forte declive elameado que culminou com nosso carro literalmente enterrado na lama, à beira da estrada, sem poder abrir as portas. Fomos socorridos, eu e o motorista, por um caminhão que passava, que nos puxou de lá com um cabo de aço. Uma das aventuras na Transamazônica, que percorri algumas vezes.

33 – No tempo que morávamos em Campinas Barão Geraldo era um bairro periférico da cidade. Era por ele que, chegando de São Paulo, entrávamos em Campinas pela Via Anhanguera (na época ainda não havia a Dom Pedro). Depois ela ganhou status de distrito mas, até onde sei, ainda não conseguiu emancipação como município independente, como reivindicam os moradores desde a década de 1990. No início dos anos 2000, quando estive na Unicamp, a situação permanecia a mesma, com o antigo bairro – agora cidade – oficialmente ainda na condição de distrito de Campinas.
34 – Bariri foi a primeira cidade em que moramos quando saímos de Cuiabá, dos meus cinco para os 6 anos de idade e por pouquíssimo tempo, pois ainda com seis fui matriculado no jardim de infância já em Americana, com papai transferido pelo Banco do Brasil. Então da cidade só lembro da minha rua, que nem calçada era e devia ser perto da zona rural, pois pela nossa porta passava boiada em comitiva com relativa frequência. Usando um compasso para circundar São Paulo, Bariri vai ser espetada pela ponta dele, pois fica bem no centrinho do estado, à mesma distância dos seus quatro pontos cardeais. Pequena ainda hoje (tem menos de 35.000 habitantes), tal como era décadas depois quando voltei lá, devia ser pouco mais que um povoado rural na minha infância, pois que sua economia cresceu do cultivo do café. A hidrelétrica que chegou a partir de 1965 foi a razão de minha revisita à cidade.
35 - Barra do Bugres  é uma pequena cidade de pouco mais de 30.000 habitantes situada a 150 km de Cuiabá. Seu nome vem do Rio Bugres, que tem sua foz ali ao desaguar no Rio Paraguai. Dois momentos me marcaram a região: a primeira foi a travessia, ida e volta, do rio Paraguai pelo Trem do Pantanal (oficialmente Estrada de Ferro Noroeste do Brasil), como era chamada a linha férrea que ia de Bauru-SP até Corumbá-MS, passando pela capital Campo Grande,; e a segunda foi minha ida à Barra do Bugres para trabalho na UNEMAT (Univ. do Estado de Mato Grosso), quando conheci o belíssimo projeto 3º. Grau Indígena, de formação superior para professores indígenas, o primeiro de toda a América Latina. Fiquei encantado com tantos jovens indígenas sendo educados por professores formados dentro dos próprios costumes e língua natal de suas tribos de origem, um passo monstruoso para preservação de suas culturas num país de educação em patamar tão deficiente. Além da UNEMAT a cidade conta ainda com mais três universidades – UFMT, IFMT e UAB (Univ. Aberta do Brasil) – que oferecem vários cursos superiores e até pós graduação. Vale a menção à Estrada de Ferro, que em 2014 completou um século. Viveu seu apogeu nas décadas de 1960 a 1980 e, infelizmente, passou a transportar apenas carga a partir de 1996. Entre 1914 e 1952 ia de Baurú até o rio Paraguai, após o que foi estendida até Corumbá, e ganhou ainda uma extensão boliviana até Puerto Suárez. Seu roteiro passava por cidades importantes, como Campo Grande, Aquidauana e Miranda, e uma das grandes emoções que senti foi na travessia do Rio Paraguai, o maior do estado, seguido pelo Araguaia, Cuiabá, Xingú e Coxipó. A travessia do Paraguai, por sua enorme largura, é feita lentamente pela composição durante longos minutos. Cruzei o imenso rio de pé na escada entre dois vagões, que pareciam flutuar sobre ele por não se ver os trilhos nem a ponte passando por baixo, e permitindo observar lá embaixo enorme quantidade de jacarés do pantanal, pois que o rio ali é raso e muito largo. A experiência marcou bastante e jamais me saiu da memória!
36 – Barra do Garças-MT – O grande barato do meu trabalho é que, enquanto muitos gastam um bom dinheiro para ter essa paisagem como fundo, eu estava sendo pago para estar ali. Santo Antônio é padroeiro da cidade por ter sido fundada no seu dia - 13 de junho - quando então vivia de mineração, pecuária e agricultura. Na época de emancipação para município, há 70 anos atrás, tornou-se o maior do mundo, com mais de 270.000 quilômetros quadrados, razão de orgulho para os barra-garcenses. Fica bem na divisa entre Mato Grosso e Goiás, no sudeste do estado, e bem no encontro dos rios Garças e Araguaia, além de exibir essa paisagem linda por estar aos pés da famosa Serra do Roncador. É tida como o município de maior potencial turístico de MT, sendo chamada de “a capital do Araguaia”. Como se sabe, a Serra do Roncador é rodeada de misticismo, e se diz que é conectada com Machu Picchu, no Perú, por um portal interdimensional, o que atrai muitos místicos ao local. O município foi ainda ponto de partida da famosa expedição Xingu dos irmãos Villas-Bôas, e tem forte apelo para o turismo ecológico por suas paisagens de tirar o fôlego e as várias praias fluviais, para onde afluem muitos turistas atraídos por seu parque de águas quentes que passa dos 40 graus. Por conta do misticismo que envolve o local, nos anos 90 a cidade construiu um aeroporto para discos voadores, veja só, além de que Barra do Garças hoje integra a Amazônia Legal. Dá pra sentir então que coisa pra ver e estórias pra contar é o que não falta por lá.

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