Diário de Bordo - Recantos & Encantos V


43 - Bristol é uma das três cidades mais importantes da Inglaterra depois de Londres. A uma distância desta de 190km à oeste e em linha reta, chega-se lá em 1:40h por trem (às margens da ilha britânica em direção à Irlanda). Com pouco menos de 450.000 habitantes, é a sexta cidade mais populosa do país, construída em torno do rio Avon. Quem teve oportunidade de se estender em Bristol, como no meu caso, vai encontrar pouca semelhança com a capital inglesa em todos os aspectos do seu cotidiano. Enquanto Londres se destaca por sua arquitetura clássica e imponente, Bristol apresenta construções bem mais simples e menos carregada, mas com lindos e belos castelos preservados como monumentos históricos em meio a extensos campos gramados. O que encanta na cidade é seu brilho natural e ensolarado mesmo no inverno, que difere muito da sempre chuvosa e cinzenta capital inglesa. Outra coisa é seu povo acolhedor, também muito distinto do londrino, que se mostra avesso ao contato com os visitantes, bem ao estilo do “nariz em pé”. Bristol tem muito verde, e a área às margens do rio Avon é de tirar o fôlego. A ponte pênsil que cruza o profundo desfiladeiro do rio Avon – a Clifton Suspention Bridge – é um de seus pontos turísticos mais marcantes e se sustenta por cabos de aço a 75 metros de altura, de onde se tem uma vista esplendorosa do rio e de suas estradas marginais lá embaixo. Bristol é uma referência em cultura e educação, e o custo de vida lá – muito procurada por estudantes – é bem mais barato e adaptado a jovens que vivem de mesada. Como eu tinha um grande amigo num dos muitos prédios estudantis da cidade (que eles chamam de “Union”), o reitor da universidade me autorizou a ficar hospedado ali, onde o edifício de mais de 20 andares funciona como uma cidade universitária vertical, com lojas, shoppings, restaurantes, cinemas, clubes, academias e tudo o que se pode precisar sem nem se descer à rua. E o que é mais importante: MUITO BARATO! Só para se ter uma idéia, enquanto em Londres eu pagava no mínimo 7 a 8 libras por um almoço simples, na “Union” de Bristol eu gastava 50p (50 centavos de libra) por uma refeição muito mais substanciosa, já incluindo o suco e a sobremesa. Outra coisa que me marcou em Bristol foi o acolhimento das pessoas, que nem pareciam do mesmo país que os londrinos. Enquanto que em Londres todos meus amigos eram estrangeiros por não conseguir amizade com os locais, em Bristol fiz vários amigos ingleses que mantive até quando retornei ao Brasil.

44 – Barueri-SP – Integrando a região metropolitana da Grande São Paulo, Baruerí dista apenas 25 km do centro da capital, na região de Osasco. É conhecida por seu polo empresarial, entre os quais Alphaville, que se tornou referência na região como principal fonte de arrecadação de impostos do município. Nos anos 2000 Barueri ganhou notoriedade nacional através da construção da Arena Barueri, considerada a melhor arena multiúso do país. Com a extinção do clube, a arena passou a sediar os grandes eventos esportivos nacionais e internacionais, aumentando ainda mais sua notoriedade como capital do esporte em sua região (daí porque escolhi a arena como cenário para a foto). A cidade é a 14ª mais rica do país, sediando um dos polos industriais mais famosos do Brasil, que a colocou como um dos principais centros financeiros de São Paulo com um PIB superior ao de 18 capitais do território nacional. Assim, não é difícil entender porque fui enviado ao município para tocar vários projetos visando o incremento de seu potencial de empreendedorismo. Já tinha até concluído a postagem quando lembrei de um fato marcante da minha infância, que teve origem em Baruerí: a Estrada de Ferro Sorocabana. Junto com a Mogiana e a Noroeste do Brasil, esses grandes marcos da história ferroviária brasileira infestaram meu imaginário infantil quando moramos em Campinas, e não é por acaso que São Paulo - nosso estado mais rico - tenha sido escolhido para dali saírem essas grandes linhas férreas.
45 - Barretos-SP – Quando se fala de Barretos qual é a primeira coisa que vem à cabeça? A sua badaladíssima Festa do Peão de Boiadeiro, evidentemente. A região de Barretos é vista pelos brasileiros como a nossa “Lousiania” dos tempos do velho oeste americano, que desbravou a então inóspita costa do pacífico. O boiadeiro dos velhos tempos, que tocava comitivas de enorme volume de boiada pelo interior do estado, acabou se tornando a marca registrada de Barretos. Turistas e amantes do lendário “oeste selvagem” americano do século XIX invadem a cidade por ocasião de sua festa mais famosa, vestidos a caráter no melhor estilo “cowboy” do velho oeste, para assistir aos rodeios que trazem até autênticos vaqueiros americanos para disputar os prêmios oferecidos pelos difíceis 8 segundos de permanência no dorso de um cavalo xucro. Considerado o maior evento do gênero da América Latina, é claro que eu não quis me sentir como “um peixe fora dágua” naquele universo.
46 - Bayeux-PB – Como se não bastasse uma cidade da Paraíba com um nome francês, você já deve estar se perguntando que diabos faz uma cidade erigindo um monumento desse tamanho a um caranguejo, acertei?
Explico: o município, que até 1944 se chamava Barreiro, recebeu esse nome por sugestão de Assis Chateaubriand, que foi o mais ilustre paraibano de que se tem notícia, e um dos mais influentes homens do país nas décadas de 1940 e 1950. Pode-se dizer que “Chatô” foi o Roberto Marinho de sua época, pois assim como Marinho elegeu até presidentes da República, Chateaubriand também tinha fortes ligações com Getúlio Vargas. É em Bayeux que se pousa quando se chega de avião à capital João Pessoa, pois que ali está localizado seu aeroporto internacional. Terra dos índios Potiguaras e dos Tabajaras e hoje com perto de 100 mil habitantes, tem 60% de seu território coberto por rios e manguezais, e aí se entende o antigo nome (Barreiro) e a influência de outro personagem ilustre: o caranguejo, que há séculos dá sustentação econômica ao município. Só falta explicar a razão da escolha do nome por Chatô: foi uma homenagem à 1ª. cidade francesa de mesmo nome a ser libertada do poder nazista, durante a 2ª. Guerra Mundial. Sua principal avenida, também pelo mesmo motivo, recebeu o nome de Avenida Liberdade. Já puxando a brasa para minha sardinha, como aqui no Rio, Bayeux tem São Sebastião como padroeiro, e sua maior festa cultural, evidentemente, é o Festival do Caranguejo, junto com a Caranga Fest, que reúne sua gastronomia típica do caranguejo com uma grande carreata de fuscas, que chega a reunir 200 desses carrinhos que já foram febre no Brasil.


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