Diário de Bordo - Recantos & Encantos XIII
104 – Curwensville-EUA – Fico
simplesmente deslumbrado quando percorro o interior americano. E olhe que
conheci muitas cidades deles que não passam de pequenos vilarejos, e o padrão é
sempre o mesmo: além da beleza de tirar o fôlego, muita organização, limpeza, e
um amor da população pelo país que a gente percebe nas bandeiras hasteadas em
casas comuns, e símbolos americanos por toda a parte (repare na última foto da
sequência). Se for traduzir isso numa única palavra aqui está ela: educação! O desenvolvimento da população
é tanto que chega a humilhar, pois é exatamente o sentimento com que saio
delas, quando comparo com o que vejo nas nossas cidadezinhas interioranas, que
exibem tudo o que se pode imaginar de possível em miséria, ignorância, desorganização,
desrespeito dos moradores pela cidade e, principalmente, falta de educação! Impossível
não se sentir constrangido quando se vive a realidade de lá e a daqui, goste-se
ou não dos americanos. Curwensville, que fica no oeste do estado da
Pensilvânia, acreditem: é uma cidadezinha rural com cerca de 2.500 habitantes
apenas, e é essa maravilha que vocês podem ver pelas fotos. Impecável, como
todas elas, limpíssima e tão arrumada que parece mais uma maquete do que uma
cidade real. Fomos à Curwensville num dos passeios livres dos fins de semana
durante minha especialização na Penn State University. Na camisa que eu estava
usando no dia dá pra ler: “Nós vimos o
que você fez”, mas quem viu mesmo o que eles fizeram do vilarejo fomos nós,
e não há como negar: tudo o que eles fazem é o melhor que se pode encontrar,
queiramos ou não admitir isso na hora da comparação, bastando olhar em volta!
105 – Corumbá-MS – Depois que
dividiram o estado em dois Corumbá ficou em Mato Grosso do Sul, mas ainda a
vejo como integrante do meu estado natal, inclusive porque é a cidade onde meu
pai nasceu. Tanto Corumbá quanto Aquidauana, cidade natal de minha mãe, hoje
pertencem a MS, enquanto a minha – Cuiabá – permaneceu como capital de Mato
Grosso (apenas; e não “do Norte”, como alguns se referem!). Estive em Corumbá
quando adolescente, numa viagem de trem em que saímos todos de Campinas e que
deixou muita saudade. Naquele tempo se fazia essa viagem em trem de
passageiros, cruzando o rio Paraguai, numa viagem inesquecível para quem a faz
pela primeira vez. Meus pais e irmãos ficaram em Campo Grande, onde morava a
irmã caçula de meu pai, mas eu segui até Corumbá, cerca de 12 horas adiante, se me lembro bem, por
uma extensão da mesma linha férrea. Depois só voltei lá a trabalho, décadas
mais tarde. A cidade faz fronteira com a cidade boliviana de Puerto Suárez, razão
porque o tupi-guarani ali sempre funcionou como uma segunda língua e meu pai
era fluente no idioma, que aprendeu ainda na infância. O grande problema de
Corumbá é o tráfico de drogas pois, como é fronteira com o maior país produtor
das américas, tornou-se uma porta de entrada do tráfico para o resto do Brasil
e também como ponte para o exterior.
106 – Corumbá de Goiás-GO – Apesar
de seus 230 anos de idade, a cidade continua pacata e com aquele jeitão de vilarejo
do interior de pouco mais de 10.000 habitantes. Separada de Pirenópolis e
Alexânia pela Serra dos Pirineus, dois outros municípios do leste goiano onde
também já fiz trabalhos, Corumbá de Goiás é um lugar de grande atração
turística tanto pela geografia quanto pelo casario colonial que ainda predomina
na cidade. Sua grande atração é o Salto de Corumbá, mas tem muitos locais
bonitos com cachoeiras e quedas dágua que atraem muitos turistas à região por
suas belezas naturais e ainda selvagem. A cidade já fez parte de Pirenópolis,
mas foi emancipada desta, e encanta também por se situar a 1000 metros de
altura, com alguns pontos em que chega a 1.200m, sendo o pico mais alto entre a
Bacia Amazônica e Bacia do Prata. Minha passagem por Corumbá de Goiás foi por
conta de um trabalho de qualidade com equipes do Detran de Brasilia, que
escolheu o lugar para nosso trabalho para ficarmos longe de interferências do
órgão, na capital federal.
107 – Crateús-CE – É uma cidade de aproximadamente 80.000 habitantes,
no sertão cearense, e a 350 quilômetros da capital Fortaleza. Também foi outra
beneficiada pelo Projeto Ideal do Sebrae com um dos meus trabalhos de
planejamento empresarial para empreendedores locais. O nome Crateús vem do tupi
cará-teú (batata + lagarto), ou ainda
kratê (lugar seco) + y (com frequência). Nada mais apropriado para região de sertão, sem dúvida alguma. O
lugar ainda reúne diversas etnias indígenas, como as nações Tabajara,
Potyguara, Kariri e Tupinambá. A área do município integra a chamada Depressão
Sertaneja, encravada entre a Serra Grande e a Serra dos Tucuns, que atinge
altitudes de até 700 metros e, como a maioria dos locais de sertão, as reservas
de água são garantidas pelos muitos açudes que se constrói para facilitar o
acesso da população ao precioso líquido. A predominância do eco sistema local é
constituída de caatinga e mata seca, que reúne pelo menos 60 espécies de
répteis e anfíbios (lagartos e cobras na maioria), aves de clima semi-árido –
algumas raras como o pica-pau-anão ameaçada de extinção – e grandes felinos
como a onça-parda e o gato-do-mato. Tanto a rica fauna quanto a flora da região
ficam sob a proteção da reserva natural de Serra das Almas, que é administrada
e fiscalizada pelo IBAMA.
108 Criciúma-SC – Criciúma é outra das cidades que visitei pela
minha consultoria organizacional, a Trimens Consultores, a serviço da CSN e da
CBS de Volta Redonda, quando estivemos envolvidos em grandes projetos das duas
empresas. Dessa forma tudo o que ocorreu na cidade catarinense foi nos mesmos
moldes do que já descrevi nas visitas a Congonhas e Casa de Pedra, em Minas
Gerais. A diferença é o porte de Criciúma, uma cidade de enorme importância em
termos de mercado e que está entre as 100 melhores cidades brasileiras para se
viver pelo seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) Criciúma, atualmente com cerca
de 600.000 habitantes, é uma cidade vibrante, e polo industrial de diversos
setores. A cidade é polo industrial em
diversos setores como de confecção, cerâmica, plásticos e descartáveis, metais,
extração do carvão e construção civil, para citar apenas os mais importantes.
Localizada bem no sulzinho de SC, naquela pontinha estreita que avança a linha
divisória com o Rio Grande do Sul, apresenta uma densidade demográfica bem
alta, com cerca de 900 hab/km2, ou seja, praticamente um habitante para cada
metro quadrado da cidade. Significa que se você tiver uma família pequena com
mulher e dois filhos, vão sobrar apenas 25 centímetros para serem ocupados por
cada um, rsrsrs!!!
109 Cruzeiro-SP – Uma importância estratégica de Cruzeiro é sua
localização, no entroncamento entre Rio, São Paulo e Minas, e que já foi um dos
mais importantes entroncamentos da Estrada de Ferro Central do Brasil, que no
século XIX fazia o escoamento de toda a safra agrícola de café da região, além
das mercadorias produzidas no local que abasteciam o resto do país em fins desse
século e início do século XX. Em fins do século XIX – mais precisamente em 1882
– foi construído ali um marco nacional de desenvolvimento, o Túnel da
Mantiqueira, que foi inclusive objeto de visita de D. Pedro II acompanhado de
grande comitiva que se deslocou para Cruzeiro por conta de sua inauguração. Cruzeiro
continua hoje como uma das cidades mais conhecidas do Vale do Paraíba, próxima
a São José dos Campos no litoral norte paulista. Localizada a 220 km da capital
São Paulo, fica a meio caminho entre a capital do estado e o Rio de Janeiro, as
duas cidades mais importantes e desenvolvidas do país, e quem sai do Rio para
São Paulo pela Via Dutra vai passar por ela assim que cruza a divisa entre os
dois estados, daí que não tem como ignorar a importância estratégica de sua
localização nessa ponto do mapa tão privilegiado. Com uma população atual de
cerca de 80.000 habitantes e numa altitude de pouco mais de 500 metros,
Cruzeiro é um município bem aprazível, além de ter um clima agradável pela
circulação livre dos ventos o ano inteiro, pois que sua posição fica numa
região de serra com muitos picos, como o Pico dos Marins, o de Itaguaré, da
Gomeira, Passa Quatro, etc., O Pico do Itaguaré, inclusive, é bastante
conhecido por seu contorno que lembra o de um corpo humano deitado, formação que
passou a ser identificada como "O Gigante Adormecido" de Cruzeiro,
fora outras formações menores, mas também curiosas e pitorescas, como é o caso do
Focinho do Cão.
110 Cubatão-SP – Basta um único feito de Cubatão – cidade paulista
de 130 mil habitantes a 70 quilômetros da capital – para diferenciá-la de todo o resto do país
e receber o reconhecimento do restantes do mundo: ela trocou a posição de
“cidade mais poluída do mundo”, que deteve até 1980, pelo título de
“Cidade-símbolo da Recuperação Ambiental” em apenas 10 anos, título este
conferido pela ONU em 1992, um exemplo para todo o resto do país e para o mundo
de como se pode mudar a realidade de um lugar quando existe gente no comando
disposta a fazê-lo. Desde que teve início seu grande parque industrial,
concentrando um enorme número de indústrias de produção poluente, Cubatão
entrou num espiral de poluição jamais visto no país, até conquistar o triste
lugar de “cidade mais poluída do mundo”. O município, no início da ditadura
militar, também foi palco de tragédias que abalaram o país e a projetaram mundialmente com o apelido de “Vale da
Morte”, como o grande incêndio de Vila Socó em 1984, devido à explosão de dutos
da Petrobrás sobre os quais havia uma favela que simplesmente foi pulverizada
pela explosão, matando instantaneamente mais de 300 moradores da comunidade. Na
sequência acontece outro grande desastre de enormes proporções, a tragédia da
Vila Parisi, outra favela encravada entre várias indústrias atrás da Companhia
Siderúrgica Paulista, que teve repercussão mundial como exemplo de descaso político
e humilhação do ser humano nas grandes cidades do país. Vieram as doenças diretamente
ligadas à miséria, à falta de saneamento básico e à poluição, com muitas mortes
neonatais por anencefalia, forçando a Prefeitura a transferir a população para
um bairro construído às margens da Anchieta-Imigrantes – o Bolsão 8 – que se
tornou “Jardim Nova República” com a eleição de Tancredo Neves em 1985. Foi
nesse mesmo ano que a Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo deram
início a um grande projeto de preservação ambiental em parceria com a ONU para
transformar Cubatão no exemplo de recuperação ambiental a partir da década de
1990 marcado pela volta de um símbolo de sua fauna, o guará-vermelho. Para
alguém como eu, que desde minha infância passava frequentemente por Cubatão com
meus pais em direção à Baixada Santista – onde morava uma de minhas tias – foi
uma transformação e tanto, pois que nos deparávamos com aquela nuvem tóxica
pairando sobre a cidade que servia, inclusive, para identificarmos de longe sua
aproximação. Nunca me esqueci daquela cena da nuvem negra pairando sobre o vale
da única cidade não litorânea da baixada santista, o que piorava ainda a
qualidade do ar na região, pois que era vista no vale entre a grande cadeia de montanhas
à sua volta como uma nuvem estática e assustadora. Felizmente todas essas
tristes lembranças da história da cidade agora pertencem a um passado cada vez
mais distante.
111 Cuiabá-MT –
Foram incontáveis as vezes em que viajei para minha cidade natal para realizar
diversos trabalhos importantes pelo IBQN, um verdadeiro mergulho nas minhas
origens o que, é claro, mexia muito com minhas emoções por reencontrar ainda
por lá pessoas queridas e outras da família muito ligadas à minha primeira
infância, pois que saímos de Cuiabá quando eu tinha apenas 6 anos de idade. As
lembranças daquele tempo, porém, permaneceram bastante nítidas, e se conservam
até hoje. Parece que os registros da primeira infância são daqueles que nunca
se apagam, não importa seu tempo de duração, e eu teria que dedicar todo o
restante deste compêndio a eles, se quisesse descrevê-los todos. Daí que até
selecionar o que de mais importante gostaria de registrar já fica difícil, pois
que nesse período da vida simplesmente TUDO nos chega como extremamente
importante! Mas vamos lá, vou tentar resumir ao máximo aqueles pontos mais
marcantes. Começa pelo meu regresso a Cuiabá quase quatro décadas depois que
deixamos a cidade, o que por si só já remete à emoção de reencontrá-la e à
dimensão das lembranças todas que me isso me trouxe. Imaginem a sensação de um
menino deixando o lugar em que viveu seus primeiros 6 anos de vida e retornando
ali já como homem realizado tanto pessoal quanto profissionalmente. Não tem
como descrever isso para quem nunca o vivenciou: a sensação de realização já no
desembarque no aeroporto foi intensa!
Colocar os pés no solo da cidade onde havia nascido
quatro décadas antes resultou numa emoção indescritível. O coração parecia
querer saltar pela boca, e se eu tivesse asas desejaria levantar vôo ainda da
escada do avião para aquela casa de número 1038 da Rua Barão de Melgaço, no
centro da cidade, que assistiu minha vinda ao mundo quarenta anos antes. Eu
queria pisar em cada metro quadrado da cidade redescobrindo todos os locais da
minha infância, cujas lembranças pareciam querer saltar de meu cérebro para ser
rematerializada diante dos olhos. Reencontrei uma Cuiabá novíssima em folha que
eu não conhecia mas também, felizmente, a Cuiabá das minhas lembranças ainda exatamente
como a deixei, como se eu nunca saído dali. Como isso é possível? Eu explico: a
nova Cuiabá foi toda construída em um bairro mais afastado da cidade, onde
a prefeitura e os órgãos públicos do município se concentraram e que passou a
ser chamado de Centro Administrativo. Mas aquela Cuiabá de minha infância se
manteve integralmente preservada, exatamente como a deixara há mais de 4
décadas. O poder público da capital mato-grossense teve o cuidado de preservar
minha história e a sua própria, mantendo toda a parte que se constituía no centro histórico da cidade sem alterar sua fisionomia, exceto pela Catedral da praça
Getúlio Vargas, essa sim, que foi desfigurada e ficou modernosa, em vez da
velha arquitetura colonial, bem mais feia portanto. Mais foi uma alegria muito
grande poder encontrar tudo do jeitinho que deixamos, com pequenas adaptações
apenas. Tive uma dificuldade inicial para identificar nossa casa na Barão de
Melgaço, onde eu nasci, pois que mudaram-lhe a fachada para adaptá-la ao
serviço público que agora funcionava nela: fora transformada na Associação de
Aposentados e Pensionistas de Mato-Grosso. O janelão da fachada, voltado para a
rua e que era o quarto de meus pais, permanecia igual, mas o portãozinho da
entrada – de pouco mais de meio metro por onde se pegava a escada para o corredor descoberto da casa – esse havia dado lugar a uma porta de parede inteira até o
teto. Mas como passou a ser um lugar de acesso público, entrei e descobri que lá dentro
tudo estava exatamente igual: o corredor
de cimento vermelhão encerado, a sala de nossa antiga casa em piso quadriculado
em preto e branco, meu quarto e o de meus pais – que agora eram escritórios – a
enorme copa alcançada por dois degraus, depois mais um para a cozinha... A
varanda interna com canteiros de flores nas janelas, tudo incrivelmente igual
como há quarenta anos! Eu mesmo não acreditava no que tinha diante de meus
olhos. Até o enorme quintal com mangueiras onde brincávamos o dia todo estava
exatamente como o deixáramos!
Havia antes um Centro Operário em frente à nossa
casa, do outro lado da calçada, e que também não existia mais, mas a casa
continuava lá. Depois segui a mesmo caminho que fazia para a joalheria de meu
avô, na esquina da Rua Antonio Maria com João Dias, e tudo estava lá: inclusive
o sobrado da esquina onde a joalheria funcionava embaixo e a casa de meus avós,
toda rodeada de varandas, permanecia lá do jeitinho que eles a deixaram quando
partiram para morar em Campinas. A enorme e mais tradicional escola onde eu
fizera o primeiro ano primário – que antes era “Escola Modelo Barão de Melgaço”
– Também continuava igual, mas com o nome trocado para “Palácio da Educação de
Mato Grosso”. O prédio histórico agora abrigava o órgão máximo da educação no
Estado. Enorme alegria encontrá-lo intacto e lembrar que ali aprendi as
primeiras letras.
Para encurtar: localizei amigos de infância que
ainda moravam lá, como meu grande amigo Eduardo Fávila. Ele foi me encontrar no
tradicional Hotel Mato-Grosso, onde me hospedara, e que também fizera parte de
minha infância. Dudu, como o tratava,
inacreditavelmente me reconheceu de pronto no hall do hotel, entre dezenas de
pessoas. Ele disse que o fez pelos meus olhos, que permaneceram como eram
quanto ambos tínhamos seis anos de idade, e que me reconheceria em qualquer
lugar. Isso me deixou emocionado. Reencontrei e fui recebido para almoçar na
casa de meus tios Odyr e Yvonne, revi a casa do meu tio-avô mais querido,
Manoel Bodstein, já falecido, e recontrei outra tia-avó querida, que era
freira-residente no tradicional Colégio Coração de Jesus. Tantas lembranças
misturadas com uma dorzinha no peito de saudade. Foi como viajar no tempo para
onde passei minha infância. Daí pra frente, nas muitas vezes em que voltei a
Cuiabá para diversos projetos de Qualidade Total, revisitei esses lugares todos
e meus entes queridos, como a querida tia Hylda no Colégio Coração de Jesus.
Vou até parar por aqui nas reminiscências da infância, pois precisaria de um
livro inteiro para contar tanta coisa desse meu retorno às origens. O IBQN,
além do orgulho que já me proporcionava por integrar seu quadro de consultores,
também me deu toda essa alegria de presente, pois Cuiabá foi reintegrado à
minha história com a sequência de visitas que passei a fazer à cidade para diversos
trabalhos, como o programa de Gestão pela Qualidade que eu implantei na
Prefeitura, e também no estado durante a gestão do Governador Dante de Oliveira
e seu vice Coronel Meirelles. Também apliquei diversos cursos na Prefeitura em
Sistemas de Gestão, bem como capacitação dos Multiplicadores que dariam
sequência ao trabalho como consultores internos. Minha interlocutora na
Prefeitura de Cuiabá, na época, era a Claudia Costin Rodrigues, que alguns anos
depois veio a ser Secretária de Educação aqui no Rio. Naquele tempo ela era
Secretária de Governo do então prefeito e depois governador Dante de Oliveira.
Enfim... Muita coisa que revivi e muita história pra contar de todas aquelas
viagens a Cuiabá, por um bom período. Um dos maiores presentes que recebi da
vida nessas três décadas de pé no mundo por conta do meu cotidiano em
consultorias e alguns milhares de pousos e decolagens depois.
112 Cunha-SP – A cidade fica no leste do estado de São Paulo, no
Brasil, com uma população de pouco mais de 20 mil habitantes. Como curiosidade o
município leva o apelido de “Terra do Fusca” pois, segundo estatísticas
oficiais, é o município brasileiro que concentra a maior frota dos famosos
carrinhos no país inteiro. Cunha é também se destaca por ser uma das 12 estâncias
climáticas pelo Estado de São Paulo, de acordo com pré-requisitos definidos por
Lei Estadual, o que lhe garante uma verba maior por parte do Estado para promoção
do turismo regional, além de integrar o título ao próprio nome. Oficialmente,
portanto, a cidade leva o nome pomposo de “Estância Climática de Cunha”, termo
pelo qual passa a ser designada tanto pelo expediente municipal oficial quanto
pelas referências estaduais. A serviço mesmo só realizei um trabalho em Cunha
pelo Sebrae-RJ, mas passei por lá umas “trocentas” vezes a caminho de uma
fazenda de naturismo inserida na zona rural de Guaratinguetá, que eu e minha mulher
frequentamos por vários anos, o “Rincâo Naturista”, dos quais ainda trago
muitas saudades e onde fizemos mais de uma centena de amigos muito queridos.
Para chegar ao Rincão – que só se acessa de carro – percorríamos um bom trecho
da estrada “Paraty-Cunha”, e foi por isso que minhas passagens por lá, nas
constantes idas ao nosso mais gostoso recanto de convívio e lazer, marcaram bem
mais do que o trabalho feito na cidade, que não foi diferente do realizado em
muitas outras.
113 Curitiba-PR – As duas últimas imagens mostram dois momentos
distintos de minhas diversas passagens pela capital paranaense: na primeira
delas, quando fui a serviço pelo IBQN, e na segunda quando voltei lá bem mais recentemente
com meu mano do coração, ele me fazendo companhia num passeio para reencontrar familiares
meus que moram por lá. Em ambas as fotos apareço exatamente no mesmo local – o
Jardim Botânico – e com a mesma imagem do Palácio de Vidro ao fundo. Na
primeira estou com uma colega de trabalho, pois que dessa feita – coisa que era
muito raro – fomos em um grupo de quatro consultores para abrir um Programa de
Qualidade na Secretaria de Educação do Paraná, há mais de uma década e meia
atrás. Já nessa ida mostrada na outra foto revisitei velhos locais conhecidos,
e também nos hospedamos no mesmo hotel em que sempre fiquei nas viagens a
trabalho – o Del Rey –por gostar muito do serviço e pela excelente localização
bem no calçadão central da “Boca Maldita” (a XV de Novembro), onde tudo
acontece em Curitiba. Muito raramente, como já expliquei, o IBQN me levava a
lugares pequenos, atendendo prioritariamente a grandes metrópoles e capitais,
por se concentrarem nestas as autarquias e instituições públicas constituíam o
seu público, pois que nestas todos os projetos desenvolvidos eram contemplados
por financiamentos do governo através do FINEP, com 90% deles a fundo perdido. O
Sebrae, ao contrário, já tinha como público prioritário o setor privado, focado
no empreendedorismo em municípios carentes de recursos materiais e técnicos
para implementar seus projetos de desenvolvimento regional. Essa diferença de
público das empresas para as quais eu trabalhava me revelou com muita
propriedade os contrastes enormes deste país, pois que eu atuava nas diferentes
realidades do setor público e do privado, com também em locais de muitos
recursos quanto em outros que faltava de tudo, a ponto de ser necessário
algumas vezes ministrar treinamento a céu aberto tendo os alunos sentados sobre
troncos de árvores, só para se ter uma ideia, e que quando chegar o momento
abordaremos com mais detalhes.
Trabalho em Curitiba, com equipe do IBQN





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