Diário de Bordo - Recantos & Encantos VIII


Buenos Aires-AR – Se eu quisesse escolher um adjetivo que melhor descrevesse Buenos Aires com certeza a escolha seria por “vibrante”. Nas duas vezes em que lá estive não senti na segunda como se estivesse voltando à mesma cidade de antes, principalmente quando se foge dos cartões postais, tal a variedade de coisas diferentes que sempre tem pra ver e não se repete as já visitadas, e também porque ela parece estar em constante mudança na agitação que se sente e por uma sensação de que não se vai conseguir ver tudo, independente do tempo que se fique. Mas rola tanto coisa bonita que o desafio é escolher aonde ir. Começando pelas que não se gasta nada, você não precisa ir a uma casa de shows (geralmente caras) para ver um tango bem dançado, pois que existem bailarinos que fazem isso no meio da praça apenas para ganhar aplausos e algumas moedas dos turistas. “Corrientes, três-cuatro-ocho...” O 348 eu não vi onde ficava, mas a Av. Corrientes guarda o marco mais conhecido da cidade, o obelisco dos 400 anos da capital argentina. Fica na esquina da 9 de Julho, ambas sempre fervilhando de gente. As duas são muito famosas porque a Corrientes é considerada uma espécie de Broadway portenha, e a 9 de Julho por afirmarem tratar-se da avenida mais larga do mundo (se é real ou não, não sei dizer!). A Plaza de Mayo é uma espécie de Cinelândia de lá, onde tudo quanto é manifestação política ou de natureza popular é ali que acontece. E já que está lá, fica fácil visitar a Casa Rosada e a Catedral de B.Aires, que está ali bem pertinho. Especiais para mim foram alguns lugares bem bucólicos que eu curti muito:  Caminito, Recoleta e Puerto Madero, este último na zona portuária que, a exemplo da do Rio, também foi revitalizada e onde se pode encontrar ótimos restaurantes, além de visitar a Puente de la Mujer, e também a Fragata Sarmiento, esta última que atualmente funciona como museu. Se for à capital argentina procure demorar de 10 a 15 dias por lá, porque tem muita coisa bonita pra se ver.



Bom Jardim é uma cidadezinha bem gostosa na região serrana do estado do Rio, com menos de 30.000 habitantes e que tem um clima delicioso, como outras da região mais alta do estado. Fica a quase 600 metros de altura, então pegar 10º por lá como média é bem comum no inverno, e no verão não costuma passar dos 25 ou 26 graus. Fica bem pertinho de Nova Friburgo, a cerca de 20 quilómetros, e também de Duas Barras e Cordeiro. Não por acaso a cidade foi colonizada por alemães, suíços e italianos, por ter um clima muito próximo de seus países de origem. No tempo do império foi passagem de tropeiros e refúgio de traficantes de ouro. Quem gostar de turismo ecológico vai gostar muito de Bom Jardim. Alí tem muitas florestas e picos fantásticos que atingem mais de 1.200 metros de altura, como a Pedra Aguda. Não precisa dizer que é um paraíso para praticantes de rappel e adeptos de montanhismo e caminhadas, além de muito procurada para a prática de parapente e paraquedismo, por conta de seus picos altíssimos para saltar. Só de cachoeira Bom Jardim conta com três: Banquete, Maravilha e Pedregulho, e lá também fica o ponto mais alto da cidade, o Alto do Tardin, que atinge 1.250m, de onde se tem uma vista maravilhosa de toda a região. Um evento marcante da cidade que atrai muito turísta é a Folia de Reis, um lindo espetáculo que mistura religiosidade com folclore medieval, marcado por toque de tambores e cânticos típicos da idade média. Vale à pena assistir. Não só Bom Jardim, mas toda a região serrana, junto com a região dos lagos, são as duas meninas dos olhos dos cariocas e de toda a população do resto do estado, por ficar pertinho e ter esse clima gostoso tão próximo para aliviar o calor do Rio. Fiz muitos trabalhos por toda a região, prioritáriamente voltados para o estímulo ao empreendedorismo. Pelo Sebrae-RJ fazíamos constantes projetos ali com montagem de incubadoras de microempresas e fomento ao comércio local de “lingerie”, que é o forte da região.



Bom Jesus do Itabapoana é uma cidadezinha de pouco mais de 35.000 habitantes no noroeste do estado do Rio. Seu nome vem de outra Bom Jesus, só que de Minas, e da Vista Alegre, de onde vieram seus fundadores, e Itabapoana é pelo rio Itabapoana que banha o município. Ainda no século XIX era habitada pelos índios puris, e por estar próxima a Minas, teve muitas fazendas dos colonizadores mineiros, com muito trabalho escravo na época. Bom Jesus ficou independente da cidade vizinha de Itaperuna em 1938. Apesar de bem pequena, chama atenção o fato de possuir quatro universidades. Todos os gestores municipais das regiões Norte e Noroeste do estado do Rio passaram por vários projetos de iniciativa do SEBRAE-RJ, e Bom Jesus foi um dos municípios participantes, que integraram um grande projeto chamado “Projeto Lidera Rio - Prefeito Empreendedor”, voltado para qualidade da gestão através de capacitação técnica de prefeitos e secretários dos diversos municípios. Foi um dos projetos que gostei muito de conduzir e me proporcionou enorme satisfação e conhecimento daquelas regiões do nosso estado, pela importância estratégica de permitir que esses gestores buscassem a excelência ao longo do período de governo nos seus respectivos municípios. É um desses trabalhos que nos trazem orgulho por nos sabermos contribuindo para o desenvolvimento do estado e, por consequência, do país como um todo. Além do prefeito de Bom Jesus, pudemos ter boa parte de seus secretários participando do treinamento, que teve números significativos: • Programa Lidera Rio Capacitação e Consultoria em Gestão Pública e Estratégias para o Desenvolvimento dos Municípios, direcionado para gestores municipais e suas equipes (Prefeitos, Secretários, Assessores, Parlamentares, Técnicos e Especialistas municipais) com vistas a prepará-los para gerir seus municípios com uso de instrumentais de planejamento e formulação de projetos elaborados tecnicamente, com base em diagnósticos efetivos de demandas e em harmonia com as vocações de suas respectivas regiões. 

Alguns números do Programa:
·  56 horas/aula ministradas; 
·  120 horas de consultoria disponibilizadas a todos os gestores;
·  72 horas de atendimento prestadas;
·  19 municípios envolvidos; 
·  36 gestores públicos participantes; 
·  18 projetos desenvolvidos para os municípios representados;
·  5.360 km percorridos por rodovia para prestação de consultoria entre os municípios de Campos, Itaperuna e Macaé, no RJ, e todos os seus distritos. 

Durante o projeto os gestores apresentaram trabalhos belíssimos voltados para o desenvolvimento de seus municípios. Mas é claro que nem só de pão vive o homem e nem só de trabalho vive o consultor, sobrando sempre um tempinho para um gostoso mergulho no rio Itabapoana num daqueles dias de calor intenso, que por aquelas bandas é o que não falta!

Bragança é uma cidade do Pará com apenas 120.000 habitantes a pouco mais de 200 km de Belém, e às margens do rio Caeté. Como curiosidade tem o fato de ter sido fundada num lado do rio e posteriormente ter sido transferida para a outra margem, porque dificultava, na época, o contato com a capital (Não teria sido mais fácil terem construído uma ponte? rsrs!).. Na época do descobrimento era terra dos Tupinambás. O que mais me atraiu na cidade foi a arquitetura, bem ao estilo colonial clássico e com predomínio do rosa e detalhes em branco, como o da Prefeitura que é mostrada ao fundo, na foto. Outro prédio muito conhecido no mesmo estilo é o Instituto Santa Terezinha, uma construção monumental de dois andares, mas que ocupa um quarteirão inteiro, e segue o mesmo padrão de paredes pintadas de rosa bem clarinho com detalhes e contornos dos janelões em branco. A Igreja Matriz da cidade – adivinhem! – também é pintada em rosa e branco. Ainda bem que as cores revelam bom gosto e todo o seu patrimônio histórico é muito bem conservado. Em outra coincidência com o Rio, como visto em outras cidades visitadas, o aeroporto de lá também tem o nome de Santos Dumont. O mais surpreendente: uma cidade pequena como Bragança, em termos de educação dá um banho em muita metrópole: o município conta simplesmente com ONZE instituições de Ensino Superior! Meu trabalho na cidade foi uma capacitação sobre Planejamento Estratégico para a equipe de gerentes e assessores do Prefeito, exatamente naquele prédio da foto. O trágico da empreitada: como todo prédio centenário, possuia aqueles tetos em ripas de madeira, e o forro era entupido de morcegos!  Eu simplesmente tenho pânico desse bicho desde que meu pai, tentando expulsar um do meu quarto quando eu tinha 6 anos de idade, acertou uma vassourada no bicho e ele caiu sobre minha barriga, na cama, machucado mas vivo! Nos cinco minutos que meu pai foi buscar um pano na cozinha para pegá-lo, o danado ficou se debatendo em cima de mim, e eu aos gritos até “perder o choro”, como se dizia quando os gritos cessam por falta de fôlego. Nem precisa dizer que nunca superei o terror do bendito rato alado se debatendo sobre mim, até hoje, e nossos encontros sempre foram traumáticos! Pra completar, em Bragança o treinamento foi à noite, por causa do expediente deles, e em dias de calor intenso! Prato feito para os bichos começarem a esvoaçar por sobre as nossas cabeças, e eu não conseguia me concentrar no assunto. O jeito foi pedir que espantassem os bichos e fechassem todas as janelas com calor e tudo, e o pessoal foi buscar vários ventiladores, porque o prédio antigo nem ar condicionado tinha! Teria sido hilário se não tivesse sido trágico, pelo meu terror dos bichos, rsrs!

61 - Brasilia-DF – Imagino que dessa cidade aí ninguém ainda tenha ouvido falar, né? Rsrsrs! Bem, na capital federal eu não permaneci por alguns poucos dias, como na maioria das outras cidades por onde passava, exceto por algumas em que o trabalho foi de longa duração, como foi o caso. Em Brasília em gerenciei pelo IBQN cinco projetos ao longo de um ano e meio direto: no Detran-DF; no MARE-Ministério de Administração e Reforma do Estado (à época sob o comando do Bresser Pereira, e da Cláudia Lessin, que era meu link com o homem); no Ministério da Justiça (do Joel Jorge); no DER e no IDR (Inst. Desenv. Recursos Humanos do GDF), além de outros trabalhos menores pelo SEBRAE Nacional. Nesse tempo, então, eu fiquei morando em Brasília, enquanto minha mulher continuava em Niterói, por conta do atelier dela, quando no início eu vinha pra casa apenas nos fins de semana, mas isso não alterou nossa rotina, porque os trabalhos em outras cidades eu também realizava de 2ª. a 6ª., retornando para casa apenas nas noites de sexta-feira para na segunda já estar num outro local. A diferença em Brasília foi que o tempo de permanência justificou o aluguel de um flat no Kubitschek Plaza – mais barato que as diárias normais do Hotel por ser permanente. Aí negociei com a empresa para que minhas passagens aéreas fossem emitidas em nome de minha mulher na época, quando ela passou a me encontrar lá, o que facilitou bastante as coisas porque eu não ficava tão cansado com o vai-e-vem, e ela não enfrentava isso tão amiúde quanto eu. A capital federal virou então minha cidade de moradia nesse período onde, claro, eu criei meu círculo de amizades e aprendi a viver de acordo com o jeito brasiliense de ser, o que também me agradava pois que Brasília é um lugar bem gostoso de se viver. É evidente que morar num flat de hotel de alto padrão não pode ser tomado como referência de moradia, mas eu procurei fazer com que se aproximasse ao máximo de um apartamento normal, colocando ele com o jeitão de minha casa. Não precisa dizer que ainda sinto saudades desse período, e continuo achando Brasília um lugar muito aprazível, principalmente num período anterior à Lava Jato, quando ainda mantinha seu glamour, rss! Outro fator que contribuiu muito para meu prazer foi a importância dos projetos que desenvolvi na cidade, como o do Detran, onde o modelo que ajudei a implantar foi o que acabou estendido para todos os estados, já que de lá é que emanam as diretrizes que são levados ao país inteiro. Assim sinto orgulho em ter contribuído para esse Detran que hoje todos conhecem, que substituiu aquele antro de negociata que os mais velhos devem se lembrar bem, quando tudo ficava na mão de despachantes desonestos, e o usuário tinha que distribuir propina para tudo quanto é lado a cada vez que ia ao órgão para qualquer tipo de assunto relativo ao seu veículo. Pois é, gente, então quando vocês forem licenciar seus veículos hoje, confortavelmente instalados e sem ter que pagar propina pra um monte de despachante num ambiente que mais parecia uma feira livre suja e desorganizada, lembrem que nisso tem o dedinho do Luiz aqui, rsrs!!! E eu sempre me lembrei disso todos os anos ao levar meu carro ou moto para as vistorias anuais! É legal isso ou não é?

62 – Búzios-RJ, como é chamada por todos, mas oficialmente Armação dos Búzios, faz divisa com Cabo Frio, do qual se separou em 1995, ficando a cerca de 170 quilômetros da capital do estado. É uma das queridinhas do carioca que cruza a ponte nos fins de semana buscando a região dos lagos.  Com apenas  oito quilômetros de extensão, a cidade reúne 23 praias que de um lado trazem as correntes marítimas do Equador, e do outro as do polo sul, daí que a procura poder escolher águas mornas ou geladas em suas praias, entre as quais as conhecidas FerraduraTartarugaBrava e Olho-de-Boi, esta última também buscada para a prática do naturismo. Sua fama explodiu com a visita de Brigitte Bardot em 1964, que estimulou seu turismo e como efeito colateral a exploração imobiliária na cidade, que lhe deu o apelido de “Saint Tropez brasileira”, sendo procurada por muitos estrangeiros em visita ao Brasil. Um dos “points” mais procurados por lá é a Rua das Pedras, uma rua calçada com aquelas pedras irregulares que concentra muitos bares com música ao vivo. A antiga vila de pescadores hoje é uma badaladíssima cidade turística. Nas vezes em que lá estive, foi maior o número das idas para curtir suas praias do que a trabalho, coberto pela forte atuação do Sebrae-RJ no estado. Particularmente, Búzios também é uma das minhas cidades prediletas na região, mais do que a também gostosa Cabo Frio.

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