Diário de Bordo - Recantos & Encantos XV
Fort Lauderdale
124 Fort
Lauderdale-EUA – Quando saltei do trem em Fort
Lauderdale, vindo de Miami, e comecei a percorrer a cidade, a pergunta que
invadiu meu cérebro foi: “Peraí... É isso mesmo? Pois era! Fort Lauderdale é
uma cidade simplesmente incrível! Assim como Miami Beach, é cheia de sol a
ponto de se precisar escurecer a objetiva da câmera para não perder as fotos
por excesso de luz. A cidade é todinha recortada por canais que passam por
qualquer lugar pra onde se olhe, e a primeira impressão é a de ser uma cidade
construída para milionários, porque em lugar de carros o que mais se vê
são iates de luxo por toda parte. Os que não estão percorrendo os canais são
vistos ancorados por tudo quanto é lado. Uma cidade de sonho!... Basta dizer
que quase 12% do território do município estão cobertos por água, e nesses 12%
não está incluído, é claro, o lindo litoral de praias lindíssimas que banham a
cidade, mas apenas as dos canais que a entrecortam. Ela surpreende por se ver tanto
canal que eles parecem substituir as ruas que se esperava encontrar. Fort
Lauderdale tem menos de 170 mil habitantes, situando-se no sudeste do estado,
bem na pontinha do braço que adentra o mar apontando para Cuba. O lugar é
moderníssimo, parecendo que acaba de ser construído, de tão limpo e arrumado, e
não vi ali um único edifício centenário desses que infestam as nossas cidades.
Parece não ter nada a ver com ela por ser tão nova que nem história deve
ter. Pelo que apurei, o município não tem mais que 100 anos de idade, mas se
alguém me dissesse que foi construída no ano passado eu acreditaria, pois é
essa a ideia que passa quando se anda por lá. Assim que alcancei a praia da
primeira foto da sequência senti como se tivesse me teletransportado para o Rio
em fração de segundos, pois nesse local tem-se a ideia exata de se ter chegado
à Vieira Souto, em Ipanema, a mais charmosa de nossas praias. Vejam a semelhança
na foto, para quem conhece, e hão de concordar que são tão idênticas que dá até
pra confundir, exceto por faltar o morro Dois Irmãos ao fundo. Não fosse isso, poder-se-ia dizer estarmos em qualquer das duas que ninguém iria duvidar.
125 Feira de Santana-BA – A
cidade fica a cerca de 100 quilômetros da capital, Salvador, Feira é importante
e conhecida, pois que é a segunda mais populosa do estado (mais de 600 mil
habitantes) e a primeira do interior nordestino. Ocupa a posição de maior cidade
do interior em relação a quatro regiões do Brasil – Norte, Nordeste, Centro
Oeste e Sul, deixando de fora apenas o Sudeste por abrigar, claro, a parte mais
desenvolvida do país. E não fica por aí: Feira possui simplesmente uma
população maior que a de oito capitais. Não é brincadeira, portanto, sua
importância não só para a Bahia como para todo o Nordeste. Sua posição
geográfica também é privilegiada, distando apenas 45 quilômetros do litoral,
daí porque se transformou no principal centro urbano, político, educacional,
tecnológico, econômico, imobiliário, industrial, financeiro, administrativo,
cultural e comercial do interior da Bahia e um dos principais do Nordeste,
sendo considerada como uma das cidades que mais crescem no país atualmente.
Então não preciso me estender mais para se entender porque não ficou de fora do
Projeto Ideal do Sebrae, que me levava às regiões com mais potencial de
desenvolvimento nesse interiorzão do país, e onde me cabia aplicar capacitação
em Planejamento e implantar Centros de Desenvolvimento Empresarial de modo a
fomentar o empreendedorismo da região e de seu entorno.
126
Florianópolis-SC – Como grande capital que é, Floripa estava entre as cidades
que eu cobria pelo IBQN, cujo objeto de nossa atenção era autarquias e grandes
estatais. Assim, descrever a capital catarinense praticamente é como chover no
molhado, pois todo mundo a conhece sobejamente e vou poupá-los, portanto, dos
dados estatísticos. Fiz alguns trabalhos importantes nas empresas públicas da
cidade, claro, mas gostoso mesmo é ir à passeio nessa cidade linda conhecida
por “Ilha da Magia”, por dividir com São Luís e Vitória o privilégio de ter o
mar por todos os lados, as três capitais do país que estão localizadas em
ilhas. Acho Floripa uma das cidades mais aprazíveis do país. Aberta, sem aquele
ambiente sufocante dos arranha-céus que se vê em São Paulo, Rio, Fortaleza e
outras tantas verticalizadas, a capital catarinense tem um clima todo especial
que considero diferente de todas as demais capitais do país. Essa foto em
Floripa foi batida naquela viagem de férias que fiz com amigos percorrendo todo
o litoral, desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul, e acampando por
quase todas as cidades por onde passamos, pois que a viagem durou o mês de
nossas férias inteirinho, e íamos acampando por todo o caminho. Nossa rotina
foi viajar durante o dia até a próxima cidade, e acampar nela para passar a
noite. O dia seguinte era para explorar o lugar e passear muito. Havendo muita
coisa pra ver, a gente estendia a estada até esgotá-los. Se era pequeno pra
poder ver tudo, desmontávamos a barraca e seguíamos em frente. Foram simplesmente
espetaculares aquelas férias, que reuniu duas coisas que sempre adorei fazer
desde que me entendo por gente: acampar
e viajar! A foto escolhida aqui para mostrar Floripa foi a da minha primeira
ida à cidade, durante aquelas férias inesquecíveis.
127
Fortaleza-CE – Confesso que o Ceará nunca foi meu estado favorito no
nordeste, talvez ficando em último lugar entre todos. Mas como meu vôo sempre
descia em Fortaleza antes de seguir para meu destino no interior, passei
inúmeras vezes pela capital cearense, e para quem não a conhece a surpresa será
tão grande quanto foi a minha na primeira vez em que a vi. A cidade está
caminhando para três milhões de habitantes, exibindo um contraste enorme com o
interior do estado onde a segunda maior tem pouco mais de 300 mil. E o
contraste não fica por aí: enquanto Fortaleza tem um ar de megalópole super
desenvolvida, as cidades do interior cearense – com raríssimas exceções –
apresentam um estado de pobreza extrema que fica difícil casar a imagem de
Fortaleza com o resto do estado. Elas me lembram bem o ambiente retratado por
Henfil nos episódios da Graúna, nos tempos memoráveis do “Pasquim”. Um pouco mais
moderna no interior eu só vi mesmo Sobral, talvez, que é a 5ª. do estado em
população. As restantes tem todo aquele jeitão de vilarejo onde boa parte é
constituída por alguns que são pouco mais do que aldeias no meio do nada.
Enquanto Fortaleza tem 35 quilômetros de praias lindíssimas, que não perdem
nada para as mais bonitas praias cariocas, o interior é predominantemente de
clima árido e desértico, de terra vermelha e muita poeira. Tirando Sobral, que
tem um aspecto moderno e até bastante organizada urbanisticamente, as demais
parecem lugares perdidos numa região que o resto do país esqueceu, onde faltam
os serviços mais básicos e a cultura local é daquelas vilazinhas onde
prenominam crendices e aqueles costumes tão parados no tempo quanto nas tribos
do alto xingú, ou talvez pior, pois que algumas tribos indígenas já possuem
televisão e acessam a internet, enquanto que em alguns vilarejos cearenses nem
luz elétrica ainda chegou. Mas conheci algumas que me atraiu muito como cultura
do interior, como as da região do Cariri (Crato e Juazeiro do Norte, por
exemplo), e outras que me fascinaram pela incrível geografia, como Quixadá e
Quixeramobim, que revelam um ar místico em que a gente se sente mergulhado num
clima incrível onde tudo parece
possível. Quando chegarmos nessas cidades, mais à frente, vai ter muita
coisa para se dizer delas.
128 Foz do Iguaçu-PR – Alguns
poucos dados sobre Foz do Iguaçu falam mais do que qualquer descrição da cidade
paranaense da tríplice fronteira com Paraguai e Argentina: Com população de
pouco mais de 250 mil habitantes, é o terceiro destino de turistas estrangeiros
no país e o primeiro da região sul. Seu nome se deve à uma das maiores
cataratas do mundo que ali se encontra: as Cataratas do Iguaçu, eleita em 1996
como uma das 7 Maravilhas da Natureza, e onde também se localiza a Usina
Hidrelétrica de Itaipu, a segunda maior do mundo em tamanho e primeira em
geração de energia, considerada uma das 7 Maravilhas do Mundo Moderno pela
Sociedade Americana de Engenheiros Civis. O nome Iguaçu vem do tupi-guarani,
proveniente de Y (água) e guazú (grande). As fotos mostram dois momentos meus
em Foz: na primeira, durante período de trabalho pelo IBQN, e na segunda bem
recentemente com meu mano Almi, quando o levei para conhecer a cidade e darmos
uma esticada até os dois países fronteiriços. Tem muita coisa linda pra se ver
em Foz do Iguaçu mas, dentre todas, a que mais me marcou foi o Marco das Três
Fronteiras, um lugar mágico na confluência dos rios que separam os três países
irmãos, numa construção que reproduz fielmente a das missões jesuitas da época
do descobrimento. É encantador o lugar, e ali se respira história por todos os
lados para onde se olhe.
129 Fraiburgo-SC – Houve
um período profissional significativo que vivenciei através do IBQN quando
cobri todo o sul a partir de grandes programas de Qualidade desenvolvidos a
partir do projeto montado para a Perdigão, no interior de Santa Catarina, numa
cidadezinha chamada Videira. Os quase três anos em que implantei o programa na
conhecida empresa foram muito ricos, principalmente porque tive que percorrer
quase todas as unidades deles espalhadas por muitas cidades do sul, entre Santa
Catarina e Rio Grande do Sul. Uma delas foi Fraiburgo, uma cidade encantadora
fortemente influenciada por imigrantes europeus e que ainda hoje tem pouco mais
que 35 mil habitantes. A cidade é conhecida como “Capital Nacional da Maçã”, e
a gente descobre que se aproximando dela quando começa a ver imensas plantações
da fruta dos dois lados da estrada por um longo trajeto até chegar à cidade. Ao
chegar a gente se encanta com a cultura local que roda em torno da fruta, com
as lojas típicas e seu artesanato, e onde se encontra produtos feitos com maçã
que a gente nem sonha que exista em qualquer outra região do país. E claro,
como ali a fruta é abundante, todos esses produtos à base de maçã são muito baratos,
inclusive a própria fruta desidratada e comercializada em formato de flocos, o
que eu nunca tinha provado e achei deliciosa. Pena que não consegui mais
encontra-la dessa forma em qualquer outro lugar do país. Como fiquei pela
região durante um largo espaço de tempo, tive oportunidade de levar minha
mulher até lá, durante um período maior de permanência, e ela também se
encantou com o lugar!
130 Fronteira-MG – É um município do interior de Minas, a uma altitude de 458 metros, e com uma população de
pouco mais de 15 mil habitantes. Trata-se de uma cidade que tem o turismo como
maior fonte de renda, e estive ali também pelo IBQN quando implantei programa
de qualidade em muitas unidades da Hidrelétrica de Furnas. O nome, imagino eu,
deve ser por conta de fazer divisa com o estado de São Paulo, mas de qualquer
forma o nome nunca me caiu bem. Deveria pelo menos ser “Fronteira Mineira” ou
algo assim, para lhe emprestar maior importância. Permanecer como Fronteira,
apenas, me parece fruto de descaso dos primeiros governantes do lugar, que
chegaram ali por algum motivo que não era fundar nenhuma cidade, e nem se
importaram e dar nome ao lugar. Imagino que quando alguém perguntava onde
estavam, eles respondiam que estavam “na fronteira”, sem preocupação sequer de
dar um nome ao local, e a coisa foi ficando até que o nome acabou oficializado
por efeito do uso repetitivo, simplesmente. Não lhes passa também essa
impressão de falta de interesse, como se estivessem ali só de passagem e não
havia porque escolher um nome? Mas isso não passa da minha interpretação. Pode
ser até que tenha sido tudo diferente, né?
131 Furnas-MG –
Furnas, assim como o era antes para mim, nem é conhecida pelos brasileiros como
um lugar, talvez por ter seu nome associado à hidrelétrica que, por sua
importância, se tornou mais famosa que o próprio local onde se instalou a ponto
de que todos pensem que foi a hidrelétrica que deu origem a Furnas, e não o
contrário. A empresa de que estamos falando é a gigante Furnas Centrais
Elétricas, hoje Eletrobras Furnas, uma das maiores geradoras de energia
elétrica do país, e a foto que postei de lá é a que venho usando no meu perfil
(o “aeroporto” rural onde nosso aviãozinho pousava), daí que já deve ser
conhecida de vocês. O lugar fica tão afastado (o município mais próximo é São
José da Barra) que me obrigou até a mudar alguns hábitos de vida trazidos de
muito tempo, a começar que quando fui para lá eu era vegetariano há 12 anos,
daqueles radicais mesmo, que não comem nem carne branca. Só que, como toda cidade
mineira, a carne ali é o principal alimento, e não tem como fugir disso, inda
mais se falando do interior mineiro! Eu não encontrava alternativa de alimentação
sem carne, acreditem! Até a salada era toda misturada a pedaços de presunto, torresmo,
e iscas de filé, linguiça moída, etc. Não tinha como separar as folhas dos
pedacinhos de carne misturados a elas. Era arroz, farofa ou feijão com todo
tipo de carne misturados a eles, e nesse tempo eu não deixara de comer carne,
simplesmente, eu não comia nada que tivesse sido feito junto com carne, pois
que deixava sua gordura nele e por si só já contaminava o alimento durante o preparo.
Foi um sufoco para me alimentar, pois que eu estava hospedado no hotel da vila
dos engenheiros da hidrelétrica, que ficava num lugar bem afastado e onde não
haviam alternativas no entorno, exceto um pequeno mercado. Nas primeiras
semanas eu passei a me alimentar de frutas que comprava no mercadinho, mas
chegou um ponto em que não deu mais. Aí tive que superar minha rejeição,
disfarçar a carne com todo tipo de tempero que achava, para não sentir seu
gosto, e tentar engolir como podia, mas meu organismo reagia muito mal. Pela
dificuldade que encontrava em diferentes locais onde fazia trabalhos para
manter meu vegetarianismo acabei voltando a comer carne branca. Hoje não sou tão
radical quanto era, até eventualmente ingerindo carne vermelha, mas só quando a
situação obriga. Em casa continuo apenas com a carne branca, e minha
resistência com qualquer tipo de carne vermelha continua forte.





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