Diário de Bordo - Recantos & Encantos XVIII

150  Intercourse-EUA – Com uma população em torno de 1.300 habitantes, Intercourse é uma pequena cidade do condado de Lancaster, na Pensilvânia, e de população Amish (dos quais já falei aqui outras vezes), motivo pelo qual atrai turistas interessados em conhecer a cultura incomum e bastante interessante desse povo. O nome da cidade é outro fator de grande curiosidade, posto que em inglês o termo é usado para definir relações sexuais. Isso traz outro efeito colateral para a cidade:  suas placas de sinalização são frequentemente roubadas por pessoas que querem guardá-las por conta de seu sentido dúbio. Como vilarejo Amish, o foco de sua economia não poderia ser outra que não o turismo e a agricultura, já que os habitantes não utilizam nenhum tipo de tecnologia moderna, vivendo exclusivamente de artefatos artesanais que não dependem de energia elétrica, da qual eles não fazem uso. As cidades Amish são, na verdade, grandes comunidades de característica rural arcaica que ainda se utiliza de tração animal e artefatos manuais – tipo moendas, carroças e rodas d’água – para movimentar suas coisas e também permitir a locomoção das pessoas. Intercourse foi fundada em 1754 como Cross Keys, adotando o nome de hoje em 1814 e que se supõe ter causa em duas famosas estradas que se cruzam ali perto. Por se tratar de uma comunidade religiosa bastante radical, evidentemente não passou pela cabeça deles que viesse a ser associada à outra tradução do nome. Bem mais provável que tenham se inspirado no sentido de “comunhão”, “interação” e “partilhamento” do termo, que tem tudo a ver com sua forma de vida, já que sua cultura é toda estabelecida sobre princípios comunitários onde o coletivo é a regra, e fazem tudo em sistema de mutirão, inclusive construir suas casas e levantar as demais construções de sua sociedade fechada, como escolas, estábulos, paióis. etc.
Intercourse é uma das diversas cidades em que estive durante o período de minha especialização na Pensilvânia, mas apenas com o objetivo cultural que ocupava nossos fins de semana, não integrando portanto o elenco das visitas técnicas realizadas para fins de estudo.




151 Iguaba Grande-RJ – De população rodando em torno dos 25.000 habitantes, Iguaba – como mais comumente é  chamada – fica ali coladinha com São Pedro d’Aldeia, do qual se emancipou em 1954. É um município aprazível da Região dos Lagos fluminense localizada na margem da lagoa de Araruama. Com aconteceu com a maioria dos municípios do nosso estado, estive lá tanto para fazer trabalhos pelo SEBRAE-RJ quanto em passeios de fins-de-semana, e pessoalmente gosto muito dali. Tido como um misto de cidade do interior com cidade praiana, o que mais me ocorre ao lembrar da cidade não é nenhuma dessas duas características, mas sim os moinhos das salinas que se vê à beira da estrada assim que nos aproximamos do lugar. Aquelas pás montadas sobre torres mudando de direção conforme a direção do vento, ainda que de naturezas diversas me lembram os moinhos holandeses rodeados de neve no inverno. Só que por aqui o manto branco que se vê aos pés deles não é de neve, mas de sal, emprestando ainda assim o mesmo encanto especial à paisagem, enquanto nos ofuscam a visão com todo aquele branco refletindo a luz do sol.
152  Ilhéus-BA – É a cidade que reputo como a mais rica em história em todo o estado, e possivelmente posicionada entre as maiores no Brasil. Apresentando o mais extenso litoral do estado, que alcança os 84 quilômetros. Conhecida como “São Jorge dos ilheos", nome muito mencionado nos romances de Jorge Amado, passou de vida à cidade em 1881, e no decorrer do século XX tornou-se famosa por ambientar os romances do famoso escritor baiano como “Gabriela, Cravo e Canela” e “Terras do Sem Fim. É considerada até hoje como capital do cacau, produto que sempre se fez presente em sua história com muitos momentos de altos e baixos. Os romances que a tornaram cérebre resultaram no nome de seu terminal aéreo, o Aeroporto Jorge Amado. Mesmo se tratando de município com pouca infraestrutura, o turismo tem grande participação na sua economia, pelo apelo produzido nos contos e histórias de escritor baiana. Riquíssima em história, Ihéus foi palco de muitas lutas entre indígenas locais e portugueses. Os Tapuias teriam sido os primeiros habitantes do local, depois expulsos pelos tupiniquins, que permaneceram durante todo o período do Brasil colônia. A região foi grande produtora de cana-de-açucar nesse período, que teve seus engenhos bastantei explorados pelos jesuítas até a chegada dos ferozes índios Aimorés, que passaram a atacar as plantações. Em 1559 ocorreu a 'Guerra dos Ilhéus' em que os tupiniquins atiravam-se ao mar para lutar até a morte com os tupinambás, fieis a Mem de Sá. Com a grande adaptação do cacau ao clima local, Ilhéus virou um novo Eldorado por conta de seu próspero cultivo, produzindo muitas histórias de lutas pelo poder entre paixões desenfreadas dos coronéis por dinheiro, mulheres e terras, que criaram grandes latifúndios. A maior parte do casario de São Jorge dos Ilhéus ainda data de meados de 1780, e nos primeiros anos do século XIX o município passou por momentos difíceis de economia estagnada por mais de um século, quando apenas o engenho de Santa Maria, pertencente ao Marquês de Barbacena, conseguiu preservar alguma prosperidade. Já no início do século XX Ilheus retomou sua prosperidade, com a construção de muitos palacetes e muita movimentação de produtos e serviços. Surgiram seus belos edifícios públicos, entre os quais o Palácio do Paranaguá, onde funciona hoje sua Prefeitura. Em 1920 Ilhéus fervilhava de pessoas, de dinheiro, luxo e riqueza, quando foi levantado o "Ilhéos Hotel", primeiro edifício do interior nordestino com elevador, que ainda hoje permanece imponente. Também vieram os cabarés, clubes noturnos e cassinos que inspiraram os romances de Jorge Amado em época de muito dinheiro, luxo e desmandos com origem na produção e exportação do cacau, e ao desenvolimento da lavoura cacaueira no que hoje se conhece como Costa do Cacau. O setor de turismo floresceu bastante por suas belezas naturais, história e cultura amplamente divulgadas nas obras literárias de Jorge Amado. Toda essa riqueza histórica faz de Ilhéus um lugar fascinante, atraindo para lá um turismo maior do que o de muitas capitais do país, tanto que seu aeroporto passou a ser servido pelas quatro maiores empresas aéreas, como Gol, Avianca, Latam e Azul, fora o Porto de Ilhéus, que segue como maior porto exportador de cacau do Brasil, e é passagem obrigatória de muitos roteiros de cruzeiros turísticos, ostentando o título de terceiro maior ponto turístico da Bahia. O rico aspecto cultural abordado nos romances de Jorge Amado impulsiona o turismo cultural, onde lugares como o Bar Vesúvio, a Igreja Matriz de São Jorge, a Catedral de São Sebastião, o Bataclan e o Antigo Porto infestam o imaginário popular dos muitos turistas que buscam pela cidade, e há um significativo número de seus habitantes defendendo que, em lugar da sereia que mostro na foto numa de suas praias, em seu lugar deveria ter sido levantada uma estátua de Gabriela, pelo tanto que contribuiu para tornar a cidade conhecida no mundo inteiro.
153  Imperatriz-MA – Trata-se de uma importante cidade do Maranhão e segunda mais populosa, com mais de 250 mil habitantes. De relevância econômica inestimável para o estado, mostra-se como o maior entroncamento comercial, energético e econômico por se situar entre a soja de Balsas, ao sul, a extração de madeira na fronteira com o Pará, a siderurgia em Açailândia e a agricultura familiar no resto do estado, com destaque para a produção de arroz, de energia e celulose, além de intensa atividade extrativista.  Passei diversas vezes por Imperatriz por ser caminho obrigatório para a Hidrelétrica de Estreito, para Serra Quebrada, e ainda sediar uma das fábricas da Suzano Papel e Celulose.  Fora as ocasiões de visitas a trabalho, passei momentos encantadores e inesquecíveis em Imperatriz, que iriam requerer enorme espaço para narrar, mas que dispensam qualquer registro escrito por se mostrarem indelevelmente marcados na memória.

154  Iomerê-SC – Nunca consegui entender o nome indígena da cidade, já que Iomerê é de colonização italiana e nunca foi terra dos tupi-guaranis, do qual advém seu nome. Bem pequenina, com uma população de menos de 3.000 habitantes, a cidade é um típico vilarejo rural europeu, com suas casas construídas em madeira ao estilo das que também se vê em Gramado, respeitadas as devidas proporções, já que nesta elas foram construídas para fomentar o turismo, e em Iomerê se mostram autênticas, levantadas pelos colonos locais. Posicionada à beira da SC-355, entre Videira e Treze Tilhas, a encantadora cidadezinha chamou minha atenção pela sua beleza inconfundivelmente européia e seu clima delicioso de montanha, por ficar a quase 850 metros de altura. Foi uma das muitas cidades em que estive durante o longo período de implantação do programa de qualidade na Perdigão, do qual estive à frente como consultor do IBQN. Devido à duração do trabalho, foi um dos locais em que a Lê (minha ex-mulher) esteve comigo por lá e percorremos lindas cidades do entorno, entre as quais Treze Tilhas, que também nos deixou encantados.

155  Ipiranga do Piauí-PI – É um município do Piauí com menos de 10.000 habitantes, e de localização que se pode dizer bem central no mapa do estado, mesmo com seu formato incomum. Se traçarmos uma linha de leste a oeste do Piauí, essa linha passará por Ipiranga, e para cima o estado irá subindo para o norte em funil, até encontrar o mar, no Delta do Parnaíba, onde o pequeno litoral do estado que não ultrapassa 40 quilômetros de extensão é dividido entre Luis Correia e Parnaíba. Abaixo da linha de Ipiranga, o Piauí fica mais largo e seu desenho faz um curva brusca para a esquerda, ou seja, na direção oeste. Pode-se ver, então, que Ipiranga do Piauí está situada exatamente no ponto do mapa que faz essa curva, com a cidade mantendo a mesma distância entre seus limites a leste e a oeste, como também a distância visual para o norte e para o sul também se mostram muito parecidas. Público preferencial do SEBRAE Nacional, por sua característica de cidade pequena do interior das regiões mais carentes de desenvolvimento, estive lá levando técnicas de planejamento aos (poucos) empresários locais, para incentivo ao comércio e à agricultura local, pois que se situa em região de  caatinga e cerrado de clima semi-árido com secas que podem durar até oito meses. Não é por acaso que percorri muitas cidades do Piauí de ponta a ponta do estado. A economia de Ipiranga gira em torno de doces artesanais, e meu trabalho pelo Projeto Ideal, do SEBRAE, era estimular as micro e pequenas empresas de modo a que contribuissem para o fortalecimento do comércio e da indústria nesses municípios menores.

156  Itabirito-MG – Apesar de dimensão cinco vezes maior que Ipiranga do Piauí, a cidade mineira com cerca de 50.000 habitantes recebeu o mesmo tipo de atenção pelo Sebrae, respeitadas, evidentemente, as devidas proporções e diferenças regionais. Mas também estive lá pelo mesmo projeto levado ao Piauí. Itabirito fica bem no meio do caminho entre Belo Horizonte e Ouro Preto e não foge à maior característica de Minas, que é a exploração de seus muitos recursos minerais devido ao solo extremanente rico do estado. Situada no quadrilátero ferrífero de Minas sua economia gira, é claro, em torno da mineração, da siderurgia e do comércio.

157  Itaboraí-RJ – O município está aqui pertinho, alcançável a apenas 30 quilômetros de minha garagem, e como marca na minha vida lembro-a como a primeira cidade onde costumava ir com frequência assim que nos mudamos de Campinas para o Rio e nos fixamos em Niterói. Naqueles primeiros tempos no estado acumulei muitas estórias de minhas idas à cidade, algumas ótimas e outras nem tanto. Pouco mais que um vilarejo nas minhas lembranças daquele tempo, e já cortada ao meio pela BR-101 desde então, Itaboraí cresceu de forma assombrosa nessas últimas décadas, atingindo hoje a marca dos 240 mil habitantes, a ponto de passar por lá hoje e não conseguir mais reconhecer nenhum sinal da cidadezinha interiorana de minha adolescência. A serviço só estive em Itaboraí em uma única ocasião, e nos primeiros meses dos áureos tempos de consultoria pelo IBQN.

158  Itacoatiara-AMSe tem uma cidade da qual guardo as melhores recordações é Itacoatiara, na região amazônica e às margens do gigantesco Rio Solimões. Engraçado é que não sei precisar o motivo com exatidão, se foi por ser uma cidade ribeirinha – que me atrai muito –, por estar em contato com essa Amazônia incrível pela qual sou apaixonado, se foi pelas pessoas com as quais me senti muito bem, ou se pela simplicidade tão explícita daquelas cidades carentes de tudo, onde uma grande parte da população vive em casas de madeira sobre palafitas à beira do Solimões, ou em casas flutuantes sobre as águas caudalosas do próprio rio. O rio Solimões foi personagem importante de minha história desde os tempos de criança quando, ainda na escola primária (hoje chamada de “fase elementar”), era obrigado a decorrer sua história que, à época, se ensinava ser o mesmo que descia a Cordilheira dos Andes para cruzar a fronteira entre Perú e Brasil, e aqui chegando recebia o nome de Amazonas. Só que, pelo que se estuda hoje, não é mais assim. Ele continua como Solimões enquanto cruza enorme extensão da Amazônia brasileira, inclusive no techo que passa por Itacoatiara e ainda milhares de quilômetros depois, tendo o nome trocado para Amazonas apenas após se juntar ao rio Negro, onde ocorre o famoso “encontro das águas”, já bem próximo a Manaus (há cerca de 20 quilômetros da capital amazonense, se não me falha a memória). Esqueci de mencionar que um almoço memorável entre amigos, num restaurante sobre palafitas tendo o rio colossal correndo ao nosso lado, pode ter sido mais uma das razões para meu encantamento com Itacoatiara, onde vivenciei momentos incríveis e fiz grandes amizades durante minhas tantas passagens pela Amazônia, essa maravilha conhecida como “pulmão do mundo”.


Itaimbezinho-RJ

159  Itaguaí-RJ Situada à margem da Rio-Santos, Itaguaí era meu caminho obrigatório de todo fim de semana durante os anos em que morei em Angra dos Reis, ficando na base da serra e parecendo um paraíso tropical por suas belas paisagens à beira-mar. Distante 70 quilômetros da capital e integrando a região metropolitana do Rio, os 120 mil itaguaienses da cidade têm muito do que se orgulhar, a começar por ter sido a terra natal de Bidú Sayão – cantora lírica cuja fama correu o mundo todo, e Quintino Bocaiúva, um dos grandes vultos da nossa história que atuou para a proclamação da República. Mas não só esses filhos ilustres fazem a importância de Itaguaí. A cidade abriga o Porto de Itaguaí, considerado um dos maiores e mais modernos da América Latina, caminhando para ser o primeiro Hub Port (terminal de cargas) do Atlântico Sul. A cidade detém ainda um dos mais altos índices de Desenvolvimento Humano do estado, e sua localização é considerada estratégia para o estado e também para o país. Tanto que a Marinha está realizando estudos para construir ali uma base naval para construção de submarinos nucleares em parceria com o governo francês. Quer mais? Como se isso não bastasse, apesar da crise que o país atravessa, Itaguaí mantém uma economia forte baseada na produção de mandioca, banana, feijão, cana-de-açucar e milho, como também uma variada produção agrícola que alcança números em torno 15.000 animais baseada na criação de gado bovino, búfalo, cavalo, porco, asno e mula, ovelha e frango. Cidade de grande atração turística por suas belezas nagturais, revela forte vocação para o turismo rural e o ecoturismo com inúmeras atividades nesses setores. Itaguaí tem parte de seu território constituido de várias ilhas como a Ilha da Madeira, a Ilha de Itacurussá e as que integram a restinga da Marambaia, para mensionar apenas as mais importantes, já que o lugar é um verdadeiro arquipélado de incrível beleza composto por inúmeras delas. Por causa de seu porto e localização, Itaguaí se transformou num grande centro exportador, além de abrigar empresas de enorme importância estratégica para o país, como a NUCLEP, a Companhia Siderúrgica do Atlântico, a Usiminas, entre outras. Então, motivo de orgulho para seus moradores é o que não falta por lá.

160  Itaimbezinho-RS – Situada entre Praia Grande, em Santa Catarina, e Cambará do Sul, no RS, Itaimbezinho é um lugar mágico por abrigar o maior canyon do Brasil e um dos mais belos do mundo. Lamentavelmente, a existência do enorme desfiladeiro que separa os dois estados do extremo sul não é tão divulgado como deveria. Eu mesmo só fui saber de sua existência quando lá estive, e fiquei deslumbrado com sua grandiosidade e beleza. Não há como não associar todo esse potencial e vocação imensa que o país tem para o turismo com a absoluta incompetência de nossos governos que não fazem nada para tornar o país num dos maiores polos turísticos do mundo, já que temos aqui atrações inacreditáveis que em nada perdem para quaisquer outras dos demais países, e até superam muitas daquelas que são procuradas mais do que as nossas simplesmente porque, assim como eu, as pessoas nem sabem que elas existem. Itaimbezinho, por exemplo, não perde nada em beleza e grandiosidade para o Grand Canyon americano, e nossa Foz do Iguaçu muito menos para as Cataratas do Niágara, na divisa entre Canadá e EUA. Como conheço ambas, posso dizer de cadeira que a nossa é muito mais impressionante e bonita, sem a menor sombra de dúvida.
Conheci Itaimbezinho durante aquela memorável viagem de carro com amigos pelo literal sul – desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul – quando fomos acampando por todas as cidades do caminho, experiência tão marcante que todos deveriam fazer pelo menos uma vez na vida. Em Itambezinho atingimos o ápice do encantamento diante das belezas que este país pode oferecer, pois que é difícil acreditar no que nossos olhos revelam frente a tamanha grandiosidade. Rios despencando pelas encostas escarpadas do canyon, parecendo mergulhar nas entranhas do planeta por aquela giganesca fenda a 720 metros de profundidade. O espanto é maior ainda quando se descobre que aquele canyon se formou há pelo menos 150 milhões de anos, e que a maioria dos brasileiros sequer ouviu falar dele. É claro que algo assim não pode jamais passar em branco, e fizemos questão de pegar uma trilha entre os paredões dos dois lados que nos conduziu até o fundo do desfiladeiro localizado no coração do Parque Nacional de Aparados da Serra. A sensação de descer ao fundo dele é indescritível, e durante toda a trilha percorrida até a base – que descobrimos por puro acaso – têm-se diante dos olhos a visão esplendorosa do Rio do Boi que despenca de seus 720 metros de altura, na planície gaucha, até atingir o chão lá em baixo, que já é território de Santa Catarina.
O termo “indescritível” é o mais apropriado, pois que é impossível descrever o que se vivencia ali. Chegamos à base da trilha no ponto que a cachoeira do Rio do Boi explode nas pedras lá embaixo, e a força do impacto é tanta que não é possível aproximar-se a menos do que 50 metros do local para não ser esmagado pelas suas águas. E à medida em que nos aproximamos do fundo da imensa fenda outro fenômeno fantástico nos é revelado, quando nos percebemos envolvidos, um a um, por um arco-iris particular, que até então eu só vira no céu. Mas o fenômeno é puro encanto ao nos vermos no centro de um círculo de vapor dágua refletindo o sol de uma forma que quase podemos tocá-lo fisicamente à nossa volta. E com toda aquela mesma aquarela de cores, devido às gotículas de água que se espalham no ar com o impacto do rio nas pedras lá embaixo. Poucas vezes experimentei sensação tão incrível quanto aquela, de descer uma trilha rodeado por um halo de cores, tal como um “bambolê”, que não se desfaz enquanto permanecermos ali, Cada pessoa recebe um exclusivo para si, pois que é visto a partir da referência visual no observador, e a sensação é de nos transformarmos em um “mini Saturno” em meio ao feixe de cores pelo qual nos vemos envolvidos. Aquele momento mágico é grande demais para ser cerceado por constrangimentos e pudores, e quando me vi estava completamente nu naquela nuvem de gotículas que impedia até que enxergássemos uns aos outros, Senti que era somente a Natureza e eu, circundado pela incrível aquarela de cores, e recebendo de presente o mais inesquecível banho que já tomei em toda a minha vida.
161  Itaipava-RJ é um distrito de Petrópolis de clima frio conhecido como “refúgio de de celebridades”. Abriga muitos condomínios fechados de alto padrão e é escolhido pela alta sociedade carioca para curtir seu clima de inverno. A cidade possui shoppings sofisticados e lojas de grife, e é ainda famoso por suas muitas pousadas com infraestrutura de hotéis 5 estrelas e seus diversos  clubes de campo. Não é à toa então que foi escolhido por diversas “celebridades globais” para terem ali sua casa de inverno, como William Bonner, Cissa Guimarães e Jô Soares. Itaipava também se popularizou como berço da conhecida Cerveja Itaipava. Profissionalmente nunca desenvolvi atividades ali, passando na cidade apenas a passeio e durante curtos períodos de férias.
162  Itajaí-SC  é um município de Santa Catarina, localizado a cerca de 90 quilômetros da capital Florianópolis Florianópolis, com população atual acima de 210 mil habitantes. Integra o litoral catarinense e o Vale de Itajaí, graças ao rio Itajaí-Açu pelo qual é curtado. Até o século XVI era terra dos índios carijós, que depois foram escravizados pelos portugueses para trabalhar nas fazendas de cana-de-açucar. Em fins do século XIX recebeu grande número de imigrantes alemães e italianos, e foram seus descendentes que criaram a cultura que mantém até hoje. A Itajaí atualmente é bem menor do que no período de colonização, devido ao desmembramento de parte de seu território para dar origem a outras cidades como Blumenau, Brusque e Camboriu, que em seguida foram emancipadas. Um grande número de empresas multinacionais e brasileiras instalaram-se na cidade, como a Petrobrás, JBS, Seara, Votorantim, Gomes da Costa e Klabin, para mencionar apenas as mais conhecidas, e foi esse motivo que me levou à cidade algumas vezes para realizar consultorias pelo IBQN.



163  Italva-RJ – A cidade foi uma das 19 integrantes do projeto Lidera Rio, do Sebrae-RJ, do qual estive à frente em projeto de longa duração, oferecendo capacitação e consultoria em gestão pública e estratégias para o desenvolvimento desses municípios, e do qual participaram 36 gestores públicos municipais entre Prefeitos, Secretários, Assessores, Parlamentares, Técnicos e Especialistas da região norte e noroeste fluminense. O município de 15.000 habitantes aproximadamente, é conhecida como "Cidade do Quibe" por ter sido colonizada por imigrantes sírio-libaneses que trouxeram, entre outras coisas, sua culinária para a cidade. Italva em tupi-guarani é junção de ita, pedra, com alva, ou seja, "pedra branca", pela  abundância de calcário em seu subsolo,  A região onde hoje fica Italva era habitada por índios puris e goitacazes antes de ser ocupada por latifundiários no século XIX, e foi emancipada de Campos dos Goitacazes em 1986.

164  Itanhaém-SP –   é um município da Baixada Santista, no estado de São Paulo, Como curiosidade tem o fato de se tratar da segunda cidade mais antiga do país, razão porque traz um rico conteúdo histórico, embora sua população não tenha crescido muito nesses mais de 500 anos de idade, atingindo apenas a marca dos 100.000 habitantes. Conheci Itanhaém aos 11 anos de idade, pois que foi o primeiro lugar em que estive sem a companhia de meus pais, quando integrava um grupo de escoteiros em Campinas que programou um acampamento na cidade. Depois disso só retornei a Itanhaém décadas depois, naquela memorável viagem de carro pelo litoral entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, coincidentemente para voltar a acampar na cidade, como da vez em que o fiz quando era escoteiro. As praias de Itanhaém são bastante conhecidas Outra curiosidade que a cidade apresenta é o seu nome, formado pelas palavras “ita” e “nha-em” na linguagem dos índios tupis, que significa “prato de pedra”. Nos anos 70 a cidade ganhou visibilidade com seu charme exibido em rede nacional, por ter sido cenário da primeira versão da novela “Mulheres de Areia” contando a história das gêmeas Ruth e Raquel.  Seu cenário propício para uma série praiana mantém até hoje o estilo caiçara do qual os moradores tanto se orgulham e que, mesmo com a chegada das grandes redes de lojas, a cidade teve sua tradição preservada, rendendo-lhe até uma estátua na Praia dos Pescadores que remete àquele período de gravações da novela global.

165  Itaparica-BA é um município situado na Ilha de Itaparica, há cerca de uma hora de Salvador por ferry-boat na Baía de Todos os Santos. Já foi balneário de repouso e de saúde devido às belas praias e à sua água mineral que jorra da Fonte da Bica, localizada dentro da cidade e onde se lê em um azulejo: "Êh! água fina. Faz velha virá menina", exatamente no lugar onde bati uma das fotos durante minha passagem pela gostosa ilha. Seus primeiros registros datam do século XVI e no mesmo século os jesuítas construíram uma capela que se transformou num de seus mais importantes marcos históricos. A cana-de-açúcar e a criação de gado bovino foram importantes elementos de desenvolvimento econômico da região, nos séculos seguintes. Apesar de por seguidas vezes ter desenvolvido trabalhos em Salvador, fui até Itaparica apenas para conhecer a famosa ilha, e passar lá alguns momentos agradáveis nessa cidade que preserva intactos muitos de seus monumentos históricos, emprestando à cidade aquele ar típico de povoado do interior. Aliás, parece que trabalho e Itaparica são duas coisas que não tem muito a ver. Sua população atual passa um porquinho dos 20 mil habitantes, portanto não há como não senti-la como um típico povoado baiano.

166  Itapecurú-MA, cujo nome oficial é Itapecuru-Mirim, é um município do interior do Maranhão com perto de 70 mil habitantes. Estive lá quando fui aplicar treinamento a empresários de Carolina, quando aproveitei para tomar um gostoso banho nas cascatas do rio Itapecuru, que corta a cidade, e que são conhecidas como “Cachoeiras Gêmeas”. Era um dia de calor intenso, como é comum no verão maranhense, e não podíamos – eu e o motorista que me conduziu a Carolina – desperdiçar aquela oportunidade para um gostoso e refrescante banho nas cascatas do Itapecurú. Pena que não tive uma segunda chance de curtir a cidade, muito menos repetir o banho de rio.


167  Itapema-SC foi a cidade que me proporcionou uma experiência um tanto inusitada, pelo menos no meu caso: ela integrou o elenco das cidades do litoral em que acampei, na viagem já bem mencionada neste compêndio, e no dia que lá chegamos fazia um calor insuportável, cuja sensação térmica deveria estar próxima dos 50 graus. É claro que antes mesmo de armarmos nossa barraca no camping situado ao lado da praia quisemos nos refrescar no mar. Ao mergulhar, porém, qual não foi a surpresa quando percebemos a temperatura da água ainda mais quente do que a do ambiente, o que não foi nada agradável, pois me senti nadando numa panela levada ao fogo. Numa imaginei que em algum lugar – a menos que estivéssemos próximos de um vulcão – a água do mar se mostrasse mais quente ainda que a atmosfera, que já nos fazia suar em bicas! Não nos sentimos tentados a entrar de novo na água durante o período que permanecemos em Itapema, preferindo as duchas do camping para nossos banhos. Nossas fotos no mar se resumiram as que molhavam não mais que nossos pés, apenas para registrar a estada na cidade, evidentemente. A cidade catarinense tem cerca de 60 mil habitantes e fica a uma distância de 70 quilômetros de Florianópolis pela mesma BR-101 que passa aqui a dois quilômetros de onde moro em Niterói, tendo a ponte Rio-Niterói como parte integrante da rodovia e unindo seus dois extremos de um lado e de outro da Baía da Guanabara. Para quem não conhece, a famosa Avenida Brasil, a via expressa mais extensa do país para acesso ao Rio, é o trecho urbano da mesma BR-101, que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul cortando, portanto, todo o país no sentido longitudinal. 

168  Itaperuna-RJ é a cidade mais importante do noroeste fluminense, distando pouco mais de 300 quilômetros da capital do estado, e com população que já passou dos 100 mil habitantes. Perdi a conta de quantos trabalhos realizei no município, justamente por conta de sua representatividade e de se colocar como porta de entrada para todos os demais municípios da região. A cidade é fervilhante em termos de comércio e indústria, e daí receber atenção especial do SEBRAE-RJ, resultando nas minhas inúmeras idas até lá. Habitada pelos índios puris até o século XVI, seu nome é a junção de “ita” (pedra), “per” (caminho) e “una” (preta), significando caminho da pedra preta na linguagem deles. Posteriormente foi tomada por bandeirantes e aventureiros que desciam o Paraíba do Sul. Seu comércio atualmente é o mais desenvolvido do noroeste e atende um fluxo enorme de pessoas, além de ser importante polo de confecções no estado, atraindo muitos “sacoleiros” e revendedores de toda a região. Como característica que desde minha primeira ida à cidade me ficou muito claro, é que nos meses mais frios Itaperuna faz seus ossos doerem mesmo, e no período de calor – sai de baixo – a cidade oferece um maçarico para cada visitante ou morador, sem dó nem piedade. Assim mesmo adoro Itaperuna. Fiz muitas amizades ali e enquanto cidade ela é muito agradável e interessante, misturando o jeitinho de interior com um movimento efervescente de pessoas o ano inteiro.
169  Itapiúna-CE  - Já de Itapiúna confesso que não tenho muito a falar, já que a cidade não me apresentou nenhuma característica fora do comum além de sua principal atração, a cachoeira Véu de Noiva do Açude Castro, situado a cerca de um quilômetro do centro da cidade. Também é bem pequena, com população estimada em menos de 20 mil pessoas, e imagino que partindo do centro não se vai muito além de um quilêmetro de raio para qualquer de seus pontos urbanos. Tirando o período chuvoso, que acontece entre fevereiro e maio, o clima seco e abafado de seu território não me pareceu dos mais agradáveis, mas sou suspeito para falar, já que reajo mal ao calor e na verdade sempre dei preferência a climas de montanha e me sinto muito bem com temperaturas abaixo de zero.



170  Itatiaia-RJ – Com uma população em torno dos 30 mil habitantes, Itatiaia é vista pelos fluminenses como nossos Alpes, já que abriga nossa montanha mais elevada, o Pico das Agulhas Negras, na Serra da Mantiqueira. Situado nas divisas do Rio de Janeiro com os estados de Minas e São Paulo, a cidade é a preferida dentre os que preferem o frio às quentes praias da Região dos Lagos, por exemplo, e eu me incluo entre eles. O fluminense tem uma dívida de gratidão com o Barão de Mauá por termos hoje matas preservadas como as do Parque Nacional de Itatiaia, o primeiro parque nacional do país, devido ao fato do então Visconde de Mauá não ter aderido à monocultura cafeeira, que estava bem disseminada tanto em nosso estado como em diversos outros, principalmente no sudeste, E graças a ele ganhamos de presente esse paraíso que é o parque nacional. Itatiaia é um dos mais jovens municípios do estado, já que somente em 1988, mesmo ano de nossa atual Carta Magna, foi desmembrada de Resende para ganhar sua autonomia. Por conta de ficar situada em grande altitude – que vai de 505 metros na sede urbana do município até os quase 2.800 metros no Pico das Agulhas Negras, a região registra as mais baixas temperaturas de todo o estado, com temperatura média anual de 19 graus apenas na parte urbana, mas chegando a 4 graus negativos em Agulhas Negras. Mas se o visitante contar com esse limite para baixo pode ter uma surpresa, já que em 1985 os termômetros por lá atingiram a marca de -13ºC, com neve que chegou a um metro de altura ao longo de três dias. Inverno com neve não acontece todos os anos, como nas serras gaúchas e de Santa Catarina, mas por aqui elas cobrem os picos de Itatiaia por até 40 dias. Mas nem só do Parque Nacional vive o turismo de inverno de Itatiaia. Muitos são os que procuram pela colônia finlandesa de Penedo e as vilas de Maromba para curtir seu delicioso clima europeu, como também é muito procurada ainda a cidade de Visconde de Mauá, que também integra a região. Ainda que não sendo a trabalho, estive inúmeras vezes em Itatiaia e nessas cidades citadas que compõem os nossos “Alpes fluminenses”, principalmente durante os quase 15 anos em que atuei no escotismo, onde era comum nos deslocarmos até lá para muitos acampamentos e treinamento de sobrevivência na natureza. A região escoteira do estado inclusive mantém um chalé em plena mata, que serve de alojamento e base de apoio nessas ocasiões. Poucos lugares do mundo me propiciaram tanto encantamento por reunir todo esse clima de montanha com a conhecida exuberância de nossas matas naturais. Vivenciar Itatiaia, pelo menos para mim, sempre se mostrou uma das mais gratificantes experiências por que já passei nesse “mundão de meu deus”.

171  Itu-SP  - Quem no Brasil não conhece Itú como “a cidade onde tudo é grande”?   Mas o que bem poucos sabem é que essa fama que a projetou no país inteiro se deve a um homem chamado Francisco Flaviano de Almeida, conhecido por Simplício, que era o nome da personagem que ele encarnou na TV na década de 1960 na conhecida  “Praça da Alegria”, no SBT, idealizada e protagonizada pelo saudoso Manoel de Nóbrega (veja em https://pt.wikipedia.org/wiki/Simpl%C3%ADcio_(humorista) e também no link https://www.youtube.com/watch?v=sI0vDQk557c). Por conta disso o humorista não só tornou célebre a cidade onde nasceu quanto eternizou-se na memória da cidade, que incorporou a brincadeira como uma espécie de “slogan” do lugar, explorado largamente e de modo oficial pelas grandes figuras locais e que acabou se tornando sua marca mais forte. Assim “A Cidade dos Exageros” fez sua fama e ficou conhecida no país inteiro pela característica incorporada à sua tradição e que começou a atrair muitos turistas que iam até lá para conhecer de perto seu gigantesco “orelhão” com cerca de 10m de altura e outras atrações como o sinaleiro gigante do centro da cidade. Integrando a região de Sorocaba e distando 100 km da capital do estado, Itú, do alto de seus 583 metros de altitude, é uma cidade moderna e efervescente do interior paulista com uma população que está se aproximando dos 200 mil habitantes movimentada pelo turismo que vai em busca de suas muitas atrações históricas e de lazer, além de seu forte potencial econômico, o que me levou até lá para contribuir com esse desenvolvimento através da capacitação do empresariado local. Historicamente muito rica, começou como um povoado girando em torno da cultura do açúcar que depois passou para a cultura cafeeira que manteve até meados dos anos 1920. É servida por um aeroclube com pista para pequenas aeronaves e pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, de Campinas, situado a menos de 40 quilômetros do centro da cidade.

172  Itumbiara-GO -  Itumbiara fica no limite sul de Goiás, bem na divisa com Minas e separada dos mineiros pelo rio Araporã. Fica a cerca de 200 quilômetros da capital Goiânia e possui hoje uma população superando a marca dos 100 mil habitantes.  Deido ao seu enorme potencial energético por conta do Rio Paranaíba foram construídas em Itumbiara grandes usinas hidrelétricas, dentre elas a de Furnas Centrais Elétricas S.A., que forma o lago artificial da cidade, e foi o que motivou minha ida à cidade como parte do programa de qualidade levado a todas as unidades de Furnas. Brasil afora, no qual tive o privilégio de atuar ao longo de vários anos.



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