Diário de Bordo - Recantos & Encantos XVIII
150 Intercourse-EUA – Com
uma população em torno de 1.300 habitantes, Intercourse é uma pequena cidade do
condado de Lancaster, na Pensilvânia, e de população Amish (dos quais já falei
aqui outras vezes), motivo pelo qual atrai turistas interessados em conhecer a
cultura incomum e bastante interessante desse povo. O nome da cidade é outro
fator de grande curiosidade, posto que em inglês o termo é usado para definir relações
sexuais. Isso traz outro efeito colateral para a cidade: suas placas de sinalização são frequentemente
roubadas por pessoas que querem guardá-las por conta de seu sentido dúbio. Como
vilarejo Amish, o foco de sua economia não poderia ser outra que não o turismo
e a agricultura, já que os habitantes não utilizam nenhum tipo de tecnologia
moderna, vivendo exclusivamente de artefatos artesanais que não dependem de energia
elétrica, da qual eles não fazem uso. As cidades Amish são, na verdade, grandes
comunidades de característica rural arcaica que ainda se utiliza de tração
animal e artefatos manuais – tipo moendas, carroças e rodas d’água – para
movimentar suas coisas e também permitir a locomoção das pessoas. Intercourse
foi fundada em 1754 como Cross Keys, adotando o nome de hoje em 1814 e que se
supõe ter causa em duas famosas estradas que se cruzam ali perto. Por se tratar
de uma comunidade religiosa bastante radical, evidentemente não passou pela
cabeça deles que viesse a ser associada à outra tradução do nome. Bem mais
provável que tenham se inspirado no sentido de “comunhão”, “interação” e “partilhamento”
do termo, que tem tudo a ver com sua forma de vida, já que sua cultura é toda estabelecida
sobre princípios comunitários onde o coletivo é a regra, e fazem tudo em
sistema de mutirão, inclusive construir suas casas e levantar as demais
construções de sua sociedade fechada, como escolas, estábulos, paióis. etc.
Intercourse é uma das diversas cidades em que estive durante o período
de minha especialização na Pensilvânia, mas apenas com o objetivo cultural que
ocupava nossos fins de semana, não integrando portanto o elenco das visitas
técnicas realizadas para fins de estudo.
151 Iguaba Grande-RJ – De
população rodando em torno dos 25.000 habitantes, Iguaba – como mais comumente
é chamada – fica ali coladinha com São
Pedro d’Aldeia, do qual se emancipou em 1954. É um município aprazível da
Região dos Lagos fluminense localizada na margem da lagoa de Araruama. Com
aconteceu com a maioria dos municípios do nosso estado, estive lá tanto para
fazer trabalhos pelo SEBRAE-RJ quanto em passeios de fins-de-semana, e
pessoalmente gosto muito dali. Tido como um misto de cidade do interior com
cidade praiana, o que mais me ocorre ao lembrar da cidade não é nenhuma dessas
duas características, mas sim os moinhos das salinas que se vê à beira da
estrada assim que nos aproximamos do lugar. Aquelas pás montadas sobre torres
mudando de direção conforme a direção do vento, ainda que de naturezas diversas
me lembram os moinhos holandeses rodeados de neve no inverno. Só que por aqui o
manto branco que se vê aos pés deles não é de neve, mas de sal, emprestando
ainda assim o mesmo encanto especial à paisagem, enquanto nos ofuscam a visão
com todo aquele branco refletindo a luz do sol.
152 Ilhéus-BA – É a cidade que reputo como a mais rica em história em todo o estado, e
possivelmente posicionada entre as maiores no Brasil. Apresentando o mais
extenso litoral do estado, que alcança os 84 quilômetros. Conhecida como “São
Jorge dos ilheos", nome muito mencionado nos romances de Jorge Amado,
passou de vida à cidade em 1881, e no decorrer do século XX tornou-se famosa
por ambientar os romances do famoso escritor baiano como “Gabriela, Cravo e
Canela” e “Terras do Sem Fim. É considerada até hoje como capital do cacau,
produto que sempre se fez presente em sua história com muitos momentos de altos
e baixos. Os romances que a tornaram cérebre resultaram no nome de seu terminal
aéreo, o Aeroporto Jorge Amado. Mesmo se tratando de município com pouca
infraestrutura, o turismo tem grande participação na sua economia, pelo apelo
produzido nos contos e histórias de escritor baiana. Riquíssima em história,
Ihéus foi palco de muitas lutas entre indígenas locais e portugueses. Os
Tapuias teriam sido os primeiros habitantes do local, depois expulsos pelos
tupiniquins, que permaneceram durante todo o período do Brasil colônia. A
região foi grande produtora de cana-de-açucar nesse período, que teve seus
engenhos bastantei explorados pelos jesuítas até a chegada dos ferozes
índios Aimorés, que passaram a atacar as plantações. Em 1559 ocorreu a
'Guerra dos Ilhéus' em que os tupiniquins atiravam-se ao mar para lutar até a
morte com os tupinambás, fieis a Mem de Sá. Com a grande adaptação do cacau ao
clima local, Ilhéus virou um novo Eldorado por conta de seu próspero cultivo,
produzindo muitas histórias de lutas pelo poder entre paixões desenfreadas dos
coronéis por dinheiro, mulheres e terras, que criaram grandes latifúndios. A
maior parte do casario de São Jorge dos Ilhéus ainda data de meados de 1780, e
nos primeiros anos do século XIX o município passou por momentos difíceis de
economia estagnada por mais de um século, quando apenas o engenho de Santa
Maria, pertencente ao Marquês de Barbacena, conseguiu preservar alguma
prosperidade. Já no início do século XX Ilheus retomou sua prosperidade, com a
construção de muitos palacetes e muita movimentação de produtos e serviços.
Surgiram seus belos edifícios públicos, entre os quais o Palácio do Paranaguá,
onde funciona hoje sua Prefeitura. Em 1920 Ilhéus fervilhava de pessoas, de
dinheiro, luxo e riqueza, quando foi levantado o "Ilhéos Hotel", primeiro
edifício do interior nordestino com elevador, que ainda hoje permanece imponente.
Também vieram os cabarés, clubes noturnos e cassinos que inspiraram os romances
de Jorge Amado em época de muito dinheiro, luxo e desmandos com origem na
produção e exportação do cacau, e ao desenvolimento da lavoura cacaueira no que
hoje se conhece como Costa do Cacau. O setor de turismo floresceu bastante por
suas belezas naturais, história e cultura amplamente divulgadas nas obras
literárias de Jorge Amado. Toda essa riqueza histórica faz de Ilhéus um lugar
fascinante, atraindo para lá um turismo maior do que o de muitas capitais do
país, tanto que seu aeroporto passou a ser servido pelas quatro maiores
empresas aéreas, como Gol, Avianca, Latam e Azul, fora o Porto de Ilhéus, que
segue como maior porto exportador de cacau do Brasil, e é passagem obrigatória
de muitos roteiros de cruzeiros turísticos, ostentando o título de terceiro
maior ponto turístico da Bahia. O rico aspecto cultural abordado nos
romances de Jorge Amado impulsiona o turismo cultural, onde lugares como o Bar
Vesúvio, a Igreja Matriz de São Jorge, a Catedral de São Sebastião, o Bataclan
e o Antigo Porto infestam o imaginário popular dos muitos turistas que buscam
pela cidade, e há um significativo número de seus habitantes defendendo que, em
lugar da sereia que mostro na foto numa de suas praias, em seu lugar deveria
ter sido levantada uma estátua de Gabriela, pelo tanto que contribuiu para
tornar a cidade conhecida no mundo inteiro.
153 Imperatriz-MA – Trata-se de uma importante cidade do Maranhão e segunda mais populosa, com mais de 250 mil habitantes. De relevância econômica inestimável para o estado, mostra-se como o
maior entroncamento comercial, energético e econômico por se situar entre a
soja de Balsas, ao sul, a extração de madeira na
fronteira com o Pará, a siderurgia em Açailândia e a agricultura familiar no resto do estado, com destaque para a
produção de arroz, de energia e celulose, além de intensa atividade
extrativista. Passei diversas vezes por
Imperatriz por ser caminho obrigatório para a Hidrelétrica de Estreito, para Serra Quebrada, e ainda sediar uma das fábricas da Suzano Papel e Celulose. Fora as ocasiões de visitas a trabalho,
passei momentos encantadores e inesquecíveis em Imperatriz, que iriam requerer
enorme espaço para narrar, mas que dispensam qualquer registro escrito por se mostrarem indelevelmente marcados na memória.
154 Iomerê-SC – Nunca consegui entender o nome indígena da cidade, já que Iomerê é
de colonização italiana e nunca foi terra dos tupi-guaranis,
do qual advém seu nome. Bem pequenina, com uma população de menos de 3.000
habitantes, a cidade é um típico vilarejo rural europeu, com suas casas
construídas em madeira ao estilo das que também se vê em Gramado, respeitadas
as devidas proporções, já que nesta elas foram construídas para fomentar o
turismo, e em Iomerê se mostram autênticas, levantadas pelos colonos locais. Posicionada
à beira da SC-355, entre Videira e Treze Tilhas, a encantadora cidadezinha
chamou minha atenção pela sua beleza inconfundivelmente européia e seu clima
delicioso de montanha, por ficar a quase 850 metros de altura. Foi uma das
muitas cidades em que estive durante o longo período de implantação do programa
de qualidade na Perdigão, do qual estive à frente como consultor do IBQN.
Devido à duração do trabalho, foi um dos locais em que a Lê (minha ex-mulher)
esteve comigo por lá e percorremos lindas cidades do entorno, entre as quais
Treze Tilhas, que também nos deixou encantados.
155 Ipiranga do Piauí-PI – É um município do Piauí com menos de 10.000 habitantes, e de localização que se pode dizer
bem central no mapa do estado, mesmo com seu formato incomum. Se traçarmos uma
linha de leste a oeste do Piauí, essa linha passará por Ipiranga, e para cima o
estado irá subindo para o norte em funil, até encontrar o mar, no Delta do
Parnaíba, onde o pequeno litoral do estado que não ultrapassa 40 quilômetros de
extensão é dividido entre Luis Correia e Parnaíba. Abaixo da linha de Ipiranga,
o Piauí fica mais largo e seu desenho faz um curva brusca para a esquerda, ou
seja, na direção oeste. Pode-se ver, então, que Ipiranga do Piauí está situada
exatamente no ponto do mapa que faz essa curva, com a cidade mantendo a mesma
distância entre seus limites a leste e a oeste, como também a distância visual
para o norte e para o sul também se mostram muito parecidas. Público
preferencial do SEBRAE Nacional, por sua característica de cidade pequena do
interior das regiões mais carentes de desenvolvimento, estive lá levando técnicas
de planejamento aos (poucos) empresários locais, para incentivo ao comércio e à
agricultura local, pois que se situa em região de caatinga e cerrado de clima semi-árido com secas
que podem durar até oito meses. Não é por acaso que percorri muitas cidades do
Piauí de ponta a ponta do estado. A economia de Ipiranga gira em torno de doces
artesanais, e meu trabalho pelo Projeto Ideal, do SEBRAE, era estimular as
micro e pequenas empresas de modo a que contribuissem para o fortalecimento do
comércio e da indústria nesses municípios menores.
156 Itabirito-MG – Apesar de dimensão cinco vezes maior que Ipiranga do Piauí, a cidade
mineira com cerca de 50.000 habitantes recebeu o mesmo tipo de atenção pelo
Sebrae, respeitadas, evidentemente, as devidas proporções e diferenças
regionais. Mas também estive lá pelo mesmo projeto levado ao Piauí. Itabirito
fica bem no meio do caminho entre Belo Horizonte e Ouro Preto e não foge à
maior característica de Minas, que é a exploração de seus muitos recursos minerais
devido ao solo extremanente rico do estado. Situada no quadrilátero ferrífero
de Minas sua economia gira, é claro, em torno da mineração, da siderurgia e do comércio.
157 Itaboraí-RJ – O município está aqui pertinho, alcançável a apenas 30 quilômetros de
minha garagem, e como marca na minha vida lembro-a como a primeira cidade onde
costumava ir com frequência assim que nos mudamos de Campinas para o Rio e nos
fixamos em Niterói. Naqueles primeiros tempos no estado acumulei muitas estórias
de minhas idas à cidade, algumas ótimas e outras nem tanto. Pouco mais que um
vilarejo nas minhas lembranças daquele tempo, e já cortada ao meio pela BR-101
desde então, Itaboraí cresceu de forma assombrosa nessas últimas décadas,
atingindo hoje a marca dos 240 mil habitantes, a ponto de passar por lá hoje e
não conseguir mais reconhecer nenhum sinal da cidadezinha interiorana de minha
adolescência. A serviço só estive em Itaboraí em uma única ocasião, e nos
primeiros meses dos áureos tempos de consultoria pelo IBQN.
158 Itacoatiara-AM – Se tem uma cidade da qual guardo as
melhores recordações é Itacoatiara, na região amazônica e às margens do
gigantesco Rio Solimões. Engraçado é que não sei precisar o motivo com
exatidão, se foi por ser uma cidade ribeirinha – que me atrai muito –, por
estar em contato com essa Amazônia incrível pela qual sou apaixonado, se foi
pelas pessoas com as quais me senti muito bem, ou se pela simplicidade tão
explícita daquelas cidades carentes de tudo, onde uma grande parte da população
vive em casas de madeira sobre palafitas à beira do Solimões, ou em casas
flutuantes sobre as águas caudalosas do próprio rio. O rio Solimões foi
personagem importante de minha história desde os tempos de criança quando,
ainda na escola primária (hoje chamada de “fase elementar”), era obrigado a decorrer
sua história que, à época, se ensinava ser o mesmo que descia a Cordilheira dos
Andes para cruzar a fronteira entre Perú e Brasil, e aqui chegando recebia o
nome de Amazonas. Só que, pelo que se estuda hoje, não é mais assim. Ele
continua como Solimões enquanto cruza enorme extensão da Amazônia brasileira,
inclusive no techo que passa por Itacoatiara e ainda milhares de quilômetros
depois, tendo o nome trocado para Amazonas apenas após se juntar ao rio Negro,
onde ocorre o famoso “encontro das águas”, já bem próximo a Manaus (há cerca de
20 quilômetros da capital amazonense, se não me falha a memória). Esqueci de
mencionar que um almoço memorável entre amigos, num restaurante sobre palafitas
tendo o rio colossal correndo ao nosso lado, pode ter sido mais uma das razões
para meu encantamento com Itacoatiara, onde vivenciei momentos incríveis e fiz
grandes amizades durante minhas tantas passagens pela Amazônia, essa maravilha
conhecida como “pulmão do mundo”.
159 Itaguaí-RJ – Situada à margem da Rio-Santos,
Itaguaí era meu caminho obrigatório de todo fim de semana durante os anos em
que morei em Angra dos Reis, ficando na base da serra e parecendo um paraíso
tropical por suas belas paisagens à beira-mar. Distante 70 quilômetros da
capital e integrando a região metropolitana do Rio, os 120 mil itaguaienses da cidade
têm muito do que se orgulhar, a começar por ter sido a terra natal de Bidú
Sayão – cantora lírica cuja fama correu o mundo todo, e Quintino Bocaiúva, um
dos grandes vultos da nossa história que atuou para a proclamação da República.
Mas não só esses filhos ilustres fazem a importância de Itaguaí. A cidade
abriga o Porto de Itaguaí, considerado um dos maiores e mais modernos da
América Latina, caminhando para ser o primeiro Hub Port (terminal de cargas) do
Atlântico Sul. A cidade detém ainda um dos mais altos índices de
Desenvolvimento Humano do estado, e sua localização é considerada estratégia
para o estado e também para o país. Tanto que a Marinha está realizando estudos
para construir ali uma base naval para construção de submarinos nucleares em parceria
com o governo francês. Quer mais? Como se isso não bastasse, apesar da crise
que o país atravessa, Itaguaí mantém uma economia forte baseada na produção de
mandioca, banana, feijão, cana-de-açucar e milho, como também uma variada
produção agrícola que alcança números em torno 15.000 animais baseada na
criação de gado bovino, búfalo, cavalo, porco, asno e mula, ovelha e frango. Cidade
de grande atração turística por suas belezas nagturais, revela forte vocação
para o turismo rural e o ecoturismo com inúmeras atividades nesses setores.
Itaguaí tem parte de seu território constituido de várias ilhas como a Ilha da
Madeira, a Ilha de Itacurussá e as que integram a restinga da Marambaia, para
mensionar apenas as mais importantes, já que o lugar é um verdadeiro
arquipélado de incrível beleza composto por inúmeras delas. Por causa de seu
porto e localização, Itaguaí se transformou num grande centro exportador, além
de abrigar empresas de enorme importância estratégica para o país, como a
NUCLEP, a Companhia Siderúrgica do Atlântico, a Usiminas, entre outras. Então, motivo
de orgulho para seus moradores é o que não falta por lá.
Itaimbezinho-RJ
160 Itaimbezinho-RS – Situada entre Praia Grande, em Santa Catarina, e Cambará do Sul, no RS,
Itaimbezinho é um lugar mágico por abrigar o maior canyon do Brasil e um dos
mais belos do mundo. Lamentavelmente, a existência do enorme desfiladeiro que
separa os dois estados do extremo sul não é tão divulgado como deveria. Eu
mesmo só fui saber de sua existência quando lá estive, e fiquei deslumbrado com
sua grandiosidade e beleza. Não há como não associar todo esse potencial e
vocação imensa que o país tem para o turismo com a absoluta incompetência de
nossos governos que não fazem nada para tornar o país num dos maiores polos
turísticos do mundo, já que temos aqui atrações inacreditáveis que em nada
perdem para quaisquer outras dos demais países, e até superam muitas daquelas
que são procuradas mais do que as nossas simplesmente porque, assim como eu, as
pessoas nem sabem que elas existem. Itaimbezinho, por exemplo, não perde nada
em beleza e grandiosidade para o Grand Canyon americano, e nossa Foz do Iguaçu
muito menos para as Cataratas do Niágara, na divisa entre Canadá e EUA. Como
conheço ambas, posso dizer de cadeira que a nossa é muito mais impressionante e
bonita, sem a menor sombra de dúvida.
Conheci
Itaimbezinho durante aquela memorável viagem de carro com amigos pelo literal
sul – desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul – quando fomos acampando
por todas as cidades do caminho, experiência tão marcante que todos deveriam
fazer pelo menos uma vez na vida. Em Itambezinho atingimos o ápice do
encantamento diante das belezas que este país pode oferecer, pois que é difícil
acreditar no que nossos olhos revelam frente a tamanha grandiosidade. Rios
despencando pelas encostas escarpadas do canyon, parecendo mergulhar nas
entranhas do planeta por aquela giganesca fenda a 720 metros de profundidade. O
espanto é maior ainda quando se descobre que aquele canyon se formou há pelo
menos 150 milhões de anos, e que a maioria dos brasileiros sequer ouviu falar
dele. É claro que algo assim não pode jamais passar em branco, e fizemos
questão de pegar uma trilha entre os paredões dos dois lados que nos conduziu
até o fundo do desfiladeiro localizado no coração do Parque Nacional de
Aparados da Serra. A sensação de descer ao fundo dele é indescritível, e
durante toda a trilha percorrida até a base – que descobrimos por puro acaso –
têm-se diante dos olhos a visão esplendorosa do Rio do Boi que despenca de seus
720 metros de altura, na planície gaucha, até atingir o chão lá em baixo, que
já é território de Santa Catarina.
O
termo “indescritível” é o mais apropriado, pois que é impossível descrever o
que se vivencia ali. Chegamos à base da trilha no ponto que a cachoeira do Rio
do Boi explode nas pedras lá embaixo, e a força do impacto é tanta que não é
possível aproximar-se a menos do que 50 metros do local para não ser esmagado
pelas suas águas. E à medida em que nos aproximamos do fundo da imensa fenda
outro fenômeno fantástico nos é revelado, quando nos percebemos envolvidos, um
a um, por um arco-iris particular, que até então eu só vira no céu. Mas o
fenômeno é puro encanto ao nos vermos no centro de um círculo de vapor dágua
refletindo o sol de uma forma que quase podemos tocá-lo fisicamente à nossa
volta. E com toda aquela mesma aquarela de cores, devido às gotículas de água
que se espalham no ar com o impacto do rio nas pedras lá embaixo. Poucas vezes
experimentei sensação tão incrível quanto aquela, de descer uma trilha rodeado
por um halo de cores, tal como um “bambolê”, que não se desfaz enquanto
permanecermos ali, Cada pessoa recebe um exclusivo para si, pois que é visto a
partir da referência visual no observador, e a sensação é de nos transformarmos
em um “mini Saturno” em meio ao feixe de cores pelo qual nos vemos envolvidos.
Aquele momento mágico é grande demais para ser cerceado por constrangimentos e
pudores, e quando me vi estava completamente nu naquela nuvem de gotículas que
impedia até que enxergássemos uns aos outros, Senti que era somente a Natureza
e eu, circundado pela incrível aquarela de cores, e recebendo de presente o
mais inesquecível banho que já tomei em toda a minha vida.
161 Itaipava-RJ é um distrito de Petrópolis de clima frio conhecido
como “refúgio de de celebridades”. Abriga muitos condomínios fechados de alto
padrão e é escolhido pela alta sociedade carioca para curtir seu clima de
inverno. A cidade possui shoppings sofisticados e lojas de grife, e é ainda
famoso por suas muitas pousadas com infraestrutura de hotéis 5 estrelas e seus
diversos clubes de campo. Não é à toa
então que foi escolhido por diversas “celebridades globais” para terem ali sua
casa de inverno, como William Bonner, Cissa Guimarães e Jô Soares. Itaipava
também se popularizou como berço da conhecida Cerveja Itaipava. Profissionalmente nunca desenvolvi atividades
ali, passando na cidade apenas a passeio e durante curtos períodos de férias.
162 Itajaí-SC
é um município de Santa Catarina, localizado a cerca de 90 quilômetros da capital Florianópolis Florianópolis, com população atual acima de 210 mil habitantes. Integra o litoral catarinense
e o Vale de Itajaí, graças ao rio Itajaí-Açu pelo qual é curtado. Até o século
XVI era terra dos índios carijós, que depois foram escravizados pelos portugueses para trabalhar nas fazendas
de cana-de-açucar. Em fins do século XIX recebeu grande número de imigrantes
alemães e italianos, e foram seus descendentes que criaram a cultura que mantém
até hoje. A Itajaí atualmente é bem menor do que no período de colonização,
devido ao desmembramento de parte de seu território para dar origem a outras
cidades como Blumenau, Brusque e Camboriu, que em seguida foram emancipadas. Um
grande número de empresas multinacionais e brasileiras instalaram-se na cidade,
como a Petrobrás, JBS, Seara, Votorantim, Gomes da
Costa e Klabin, para mencionar apenas as mais conhecidas, e foi esse motivo que
me levou à cidade algumas vezes para realizar consultorias pelo IBQN.
163 Italva-RJ – A cidade foi uma das 19 integrantes do projeto Lidera Rio, do Sebrae-RJ,
do qual estive à frente em projeto de longa duração, oferecendo capacitação e
consultoria em gestão pública e estratégias para o desenvolvimento desses municípios,
e do qual participaram 36 gestores públicos municipais entre Prefeitos,
Secretários, Assessores, Parlamentares, Técnicos e Especialistas da região
norte e noroeste fluminense. O município de 15.000 habitantes aproximadamente,
é conhecida como "Cidade do Quibe" por ter sido colonizada por imigrantes
sírio-libaneses que trouxeram, entre outras coisas, sua culinária para a cidade. Italva em tupi-guarani é junção de “ita”, pedra, com
alva, ou seja, "pedra branca", pela abundância de calcário em seu subsolo, A região onde hoje fica Italva era habitada
por índios puris e goitacazes antes de ser ocupada por latifundiários no século XIX, e foi emancipada de Campos dos Goitacazes em 1986.
164 Itanhaém-SP – é
um município da Baixada Santista, no estado de São Paulo, Como curiosidade tem o fato de se
tratar da segunda cidade mais antiga do país, razão porque traz um rico
conteúdo histórico, embora sua população não tenha crescido muito nesses mais
de 500 anos de idade, atingindo apenas a marca dos 100.000 habitantes. Conheci
Itanhaém aos 11 anos de idade, pois que foi o primeiro lugar em que estive sem a
companhia de meus pais, quando integrava um grupo de escoteiros em Campinas que
programou um acampamento na cidade. Depois disso só retornei a Itanhaém décadas
depois, naquela memorável viagem de carro pelo litoral entre o Rio de Janeiro e
o Rio Grande do Sul, coincidentemente para voltar a acampar na cidade, como da
vez em que o fiz quando era escoteiro. As praias de Itanhaém são bastante
conhecidas Outra curiosidade que a cidade apresenta é o seu nome, formado pelas
palavras “ita” e “nha-em” na linguagem dos índios tupis, que significa “prato
de pedra”. Nos anos 70 a cidade ganhou visibilidade com seu charme exibido em
rede nacional, por ter sido cenário da primeira versão da novela “Mulheres de
Areia” contando a história das gêmeas Ruth e Raquel. Seu cenário propício para uma série praiana
mantém até hoje o estilo caiçara do qual os moradores tanto se orgulham e que,
mesmo com a chegada das grandes redes de lojas, a cidade teve sua tradição
preservada, rendendo-lhe até uma estátua na Praia dos Pescadores que remete àquele
período de gravações da novela global.
165 Itaparica-BA é um município situado na Ilha de Itaparica, há cerca de uma hora de Salvador por ferry-boat na Baía de Todos os Santos. Já
foi balneário de repouso e de saúde devido às belas praias e à sua água mineral
que jorra da Fonte da Bica, localizada dentro da cidade e onde se lê em um azulejo:
"Êh! água fina. Faz velha virá menina", exatamente no lugar onde bati
uma das fotos durante minha passagem pela gostosa ilha. Seus primeiros
registros datam do século XVI e no mesmo século os jesuítas construíram uma capela que se transformou num de seus mais importantes
marcos históricos. A cana-de-açúcar e a criação de gado bovino
foram importantes elementos de desenvolvimento econômico da região, nos séculos
seguintes. Apesar de por seguidas vezes ter desenvolvido trabalhos em Salvador,
fui até Itaparica apenas para conhecer a famosa ilha, e passar lá alguns
momentos agradáveis nessa cidade que preserva intactos muitos de seus monumentos
históricos, emprestando à cidade aquele ar típico de povoado do interior. Aliás,
parece que trabalho e Itaparica são duas coisas que não tem muito a ver. Sua
população atual passa um porquinho dos 20 mil habitantes, portanto não há como
não senti-la como um típico povoado baiano.
166 Itapecurú-MA, cujo nome oficial é Itapecuru-Mirim, é um município do interior do
Maranhão com perto de 70 mil habitantes. Estive lá quando fui aplicar
treinamento a empresários de Carolina, quando aproveitei para tomar um gostoso
banho nas cascatas do rio Itapecuru, que corta a cidade, e que são conhecidas
como “Cachoeiras Gêmeas”. Era um dia de calor intenso, como é comum no verão
maranhense, e não podíamos – eu e o motorista que me conduziu a Carolina –
desperdiçar aquela oportunidade para um gostoso e refrescante banho nas
cascatas do Itapecurú. Pena que não tive uma segunda chance de curtir a cidade,
muito menos repetir o banho de rio.
167 Itapema-SC foi a cidade que me proporcionou uma experiência um tanto inusitada,
pelo menos no meu caso: ela integrou o elenco das cidades do litoral em que
acampei, na viagem já bem mencionada neste compêndio, e no dia que lá chegamos
fazia um calor insuportável, cuja sensação térmica deveria estar próxima dos 50
graus. É claro que antes mesmo de armarmos nossa barraca no camping situado ao
lado da praia quisemos nos refrescar no mar. Ao mergulhar, porém, qual não foi
a surpresa quando percebemos a temperatura da água ainda mais quente do que a
do ambiente, o que não foi nada agradável, pois me senti nadando numa panela
levada ao fogo. Numa imaginei que em algum lugar – a menos que estivéssemos
próximos de um vulcão – a água do mar se mostrasse mais quente ainda que a
atmosfera, que já nos fazia suar em bicas! Não nos sentimos tentados a entrar
de novo na água durante o período que permanecemos em Itapema, preferindo as
duchas do camping para nossos banhos. Nossas fotos no mar se resumiram as que
molhavam não mais que nossos pés, apenas para registrar a estada na cidade,
evidentemente. A cidade catarinense tem cerca de 60 mil habitantes e fica a uma
distância de 70 quilômetros de Florianópolis pela mesma BR-101 que passa aqui a
dois quilômetros de onde moro em Niterói, tendo a ponte Rio-Niterói como parte
integrante da rodovia e unindo seus dois extremos de um lado e de outro da Baía
da Guanabara. Para quem não conhece, a famosa Avenida Brasil, a via expressa
mais extensa do país para acesso ao Rio, é o trecho urbano da mesma BR-101, que
vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul cortando, portanto, todo o país
no sentido longitudinal.
168 Itaperuna-RJ é a cidade mais importante do
noroeste fluminense, distando pouco mais de 300 quilômetros da capital do
estado, e com população que já passou dos 100 mil habitantes. Perdi a conta de
quantos trabalhos realizei no município, justamente por conta de sua
representatividade e de se colocar como porta de entrada para todos os demais
municípios da região. A cidade é fervilhante em termos de comércio e indústria,
e daí receber atenção especial do SEBRAE-RJ, resultando nas minhas inúmeras
idas até lá. Habitada pelos índios puris até o século XVI, seu nome é a junção
de “ita” (pedra), “per” (caminho) e “una” (preta), significando caminho da
pedra preta na linguagem deles. Posteriormente foi tomada por bandeirantes e
aventureiros que desciam o Paraíba do Sul. Seu comércio atualmente é o mais
desenvolvido do noroeste e atende um fluxo enorme de pessoas, além de ser
importante polo de confecções no estado, atraindo muitos “sacoleiros” e revendedores
de toda a região. Como característica que desde minha primeira ida à cidade me
ficou muito claro, é que nos meses mais frios Itaperuna faz seus ossos doerem
mesmo, e no período de calor – sai de baixo – a cidade oferece um maçarico para
cada visitante ou morador, sem dó nem piedade. Assim mesmo adoro Itaperuna. Fiz
muitas amizades ali e enquanto cidade ela é muito agradável e interessante,
misturando o jeitinho de interior com um movimento efervescente de pessoas o
ano inteiro.
169 Itapiúna-CE - Já de
Itapiúna confesso que não tenho muito a falar, já que a cidade não me
apresentou nenhuma característica fora do comum além de sua principal atração,
a cachoeira Véu de Noiva do Açude Castro, situado a cerca de um quilômetro do
centro da cidade. Também é bem pequena, com população estimada em menos de 20
mil pessoas, e imagino que partindo do centro não se vai muito além de um
quilêmetro de raio para qualquer de seus pontos urbanos. Tirando o período
chuvoso, que acontece entre fevereiro e maio, o clima seco e abafado de seu
território não me pareceu dos mais agradáveis, mas sou suspeito para falar, já
que reajo mal ao calor e na verdade sempre dei preferência a climas de montanha
e me sinto muito bem com temperaturas abaixo de zero.
170 Itatiaia-RJ – Com uma população em torno dos 30 mil habitantes, Itatiaia é vista pelos
fluminenses como nossos Alpes, já que abriga nossa montanha mais elevada, o
Pico das Agulhas Negras, na Serra da Mantiqueira. Situado nas divisas do Rio de
Janeiro com os estados de Minas e São Paulo, a cidade é a preferida dentre os
que preferem o frio às quentes praias da Região dos Lagos, por exemplo, e eu me
incluo entre eles. O fluminense tem uma dívida de gratidão com o Barão de Mauá
por termos hoje matas preservadas como as do Parque Nacional de Itatiaia, o
primeiro parque nacional do país, devido ao fato do então Visconde de Mauá não
ter aderido à monocultura cafeeira, que estava bem disseminada tanto em nosso
estado como em diversos outros, principalmente no sudeste, E graças a ele
ganhamos de presente esse paraíso que é o parque nacional. Itatiaia é um dos
mais jovens municípios do estado, já que somente em 1988, mesmo ano de nossa
atual Carta Magna, foi desmembrada de Resende para ganhar sua autonomia. Por
conta de ficar situada em grande altitude – que vai de 505 metros na sede
urbana do município até os quase 2.800 metros no Pico das Agulhas Negras, a
região registra as mais baixas temperaturas de todo o estado, com temperatura
média anual de 19 graus apenas na parte urbana, mas chegando a 4 graus
negativos em Agulhas Negras. Mas se o visitante contar com esse limite para baixo
pode ter uma surpresa, já que em 1985 os termômetros por lá atingiram a marca
de -13ºC, com neve que chegou a um metro de altura ao longo de três dias.
Inverno com neve não acontece todos os anos, como nas serras gaúchas e de Santa
Catarina, mas por aqui elas cobrem os picos de Itatiaia por até 40 dias. Mas
nem só do Parque Nacional vive o turismo de inverno de Itatiaia. Muitos são os
que procuram pela colônia finlandesa de Penedo e as vilas de Maromba para
curtir seu delicioso clima europeu, como também é muito procurada ainda a
cidade de Visconde de Mauá, que também integra a região. Ainda que não sendo a
trabalho, estive inúmeras vezes em Itatiaia e nessas cidades citadas que
compõem os nossos “Alpes fluminenses”, principalmente durante os quase 15 anos
em que atuei no escotismo, onde era comum nos deslocarmos até lá para muitos
acampamentos e treinamento de sobrevivência na natureza. A região escoteira do
estado inclusive mantém um chalé em plena mata, que serve de alojamento e base
de apoio nessas ocasiões. Poucos lugares do mundo me propiciaram tanto
encantamento por reunir todo esse clima de montanha com a conhecida exuberância
de nossas matas naturais. Vivenciar Itatiaia, pelo menos para mim, sempre se
mostrou uma das mais gratificantes experiências por que já passei nesse “mundão
de meu deus”.
171 Itu-SP - Quem
no Brasil não conhece Itú como “a cidade
onde tudo é grande”? Mas o que bem
poucos sabem é que essa fama que a projetou no país inteiro se deve a um homem
chamado Francisco Flaviano de Almeida, conhecido por Simplício, que era o nome
da personagem que ele encarnou na TV na década de 1960 na conhecida “Praça da Alegria”, no SBT, idealizada e protagonizada
pelo saudoso Manoel de Nóbrega (veja em https://pt.wikipedia.org/wiki/Simpl%C3%ADcio_(humorista) e também no link https://www.youtube.com/watch?v=sI0vDQk557c).
Por conta disso o humorista não só tornou célebre a cidade onde nasceu
quanto eternizou-se na memória da cidade, que incorporou a brincadeira como uma
espécie de “slogan” do lugar, explorado largamente e de modo oficial pelas
grandes figuras locais e que acabou se tornando sua marca mais forte. Assim “A
Cidade dos Exageros” fez sua fama e ficou conhecida no país inteiro pela
característica incorporada à sua tradição e que começou a atrair muitos
turistas que iam até lá para conhecer de perto seu gigantesco “orelhão” com
cerca de 10m de altura e outras atrações como o sinaleiro gigante do centro da
cidade. Integrando a região de Sorocaba e distando 100 km da capital do estado,
Itú, do alto de seus 583 metros de altitude, é uma cidade moderna e
efervescente do interior paulista com uma população que está se aproximando dos
200 mil habitantes movimentada pelo turismo que vai em busca de suas muitas
atrações históricas e de lazer, além de seu forte potencial econômico, o que me
levou até lá para contribuir com esse desenvolvimento através da capacitação do
empresariado local. Historicamente muito rica, começou como um povoado girando
em torno da cultura do açúcar que depois passou para a cultura cafeeira que
manteve até meados dos anos 1920. É servida por um aeroclube com pista para
pequenas aeronaves e pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, de Campinas,
situado a menos de 40 quilômetros do centro da cidade.
172 Itumbiara-GO - Itumbiara fica no limite sul de Goiás, bem na divisa com Minas e separada dos mineiros
pelo rio Araporã. Fica a cerca de 200
quilômetros da capital Goiânia e possui hoje uma população superando a marca dos 100 mil habitantes. Deido ao seu enorme potencial energético por
conta do Rio Paranaíba foram construídas em Itumbiara grandes usinas
hidrelétricas, dentre elas a de Furnas Centrais Elétricas S.A., que forma o lago artificial da cidade, e foi o que motivou minha ida à
cidade como parte do programa de qualidade levado a todas as unidades de
Furnas. Brasil afora, no qual tive o privilégio de atuar ao longo de vários
anos.









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